Mitos Urbanos sobre o Chi Kung V

 

Mito 5: As sensações do Chi Kung são supostas ser “sensações Zen”.
Não sei se quem criou esta idéia das “sensações Zen” alguma vez praticou Zen ou outro tipo de meditação. 
Imaginem a seguinte situação: Vão fazer terapia e começam por descrever a pedido do terapeuta a vossa semana.
Imaginem agora que o terapeuta concordava sempre com as vossas decisões, nunca vos confrontava. 
E às vezes até dizia “você é mesmo bom”, “muito bem”, “fantástico”. 
Agora imaginem que passavam 5 anos com este terapeuta.
Qual seria a vossa evolução no final?
Será que realmente com este tipo de terapeuta tinham chegado mais perto da vossa essência?
De volta ao Chi Kung.
Existe um outro mito a desmontar muito rápidamente.
O Chi Kung não é um exercício físico de Ginásio ou SPA.
E o que eu quero dizer com isto?
O Chi Kung é para ser praticado em parques, em salas minimalistas ou em casa, sem espelhos para nos vermos, sem o ruído do step da sala ao lado, sem bolas de Pilates, sem calçado especial, sem roupa especial, sem música new age, sem imagens e sem incensos e vélinhas. 
e o que fica então?
nós mesmos.
Porque é essa a matéria prima no Chi Kung – nós mesmos.
Quantas vezes todas as “sensações Zen” que são propostas têm como alicerces tudo aquilo que o Zhan Zhuang Chi Kung e o Zen não são?
Pensem nisso.
Imaginem que têm sempre a música alta em casa que vos impede de ouvir outros ruídos. 
Um dia falta a luz.
Existe uma série de ruidos que surgem entre e que antes não eram ouvidos por causa da música, o mais importante – o silêncio.
Conseguem suportar então o som do silêncio?
Depois de tanto tempo com a música alta?
No Zhan Zhuang Chi Kung somos confrontados com este silêncio.
Um dos objectivos do treino é mesmo este contacto.
Como?
Posturas são mantidas às vezes durante 20 minutos num estado de quietude. O praticante observa o corpo e a mente e aprende com essas situações que surgem, sejam elas agradáveis ou menos agradáveis.
Yin e Yang – não convidamos só as sensações que conhecemos como agradáveis mas se outras sensações que são menos conhecidas surgem, também as recebemos e lidamos com elas – nós mesmos. 
Sejamos realistas: Acham mesmo que anos e anos de tensão que um corpo adulto foi sujeito são libertos com “experiências Zen”? 
Ou estamos apenas a tocar a ponta do iceberg?
Qualquer professor de Chi Kung consegue proporcionar uma experiencia Zen aos alunos – isso é o mais fácil e às vezes é importante esporádicamente que surja nas aulas – os chamados momentos lúdicos, mas a longo prazo tenho sérias dúvidas que se não houver o confronto do aluno com a sua própria energia se este tipo de Chi Kung será eficaz e o aluno não estará a perder tempo. 
E o professor também…
O Chi Kung é ir para além de. É para lidar com as zonas cinzentas ou escuras do corpo e mente – os chamados pontos cegos, e que de outra forma só com as “experiências Zen” nunca são tocadas, dando a falsa noção que está tudo bem.
Tradicionalmente isso não passa por perder a consciência de nós mesmos, adormecer-mos durante as meditações ou nas massagems de óleos no SPA – Tudo isto cumpre uma função até certo ponto benéfica, mas não a de nos acordar, de despertar para um contacto mais profundo conosco mesmos.   
Um dia um aluno aproximou-se do mestre Zen e disse:
“- Roshi, hoje tive uma experiência maravilhosa durante a meditação, sinto-me inspirado e mais perto da iluminação.”
Ao que o mestre respondeu:
“- Não te preocupes, medita mais que isso desaparece.” 
Conclusão:
Os mitos urbanos terminam por agora, acho que é importante perceber a raiz destes mitos. E essa raiz está na facilidade que há em criar conceitos mesmo quando estes ainda não foram vividos.
Mas não acontece só como Chi Kung as pessoas falam de futebol quando muitas nunca passaram pela experiência de jogar um jogo a sério de 90 minutos. Isto só é possível na Europa. Na China tradicional fala-se e escreve-se daquilo que já se viveu, é impensável que alguém fale daquilo que nunca vivenciou.
O Chi Kung e outras artes orientais com alguma componente física são impossíveis de experienciar sem ser pela tomada de consciência do corpo. Falei nos livros que são a pior entrada para estas disciplinas por exemplo.
Não há atalhos, não há “outra maneira mais rápida” de saber o que é o Chi Kung senão pratica-lo. 
Não há o “posso ver a aula para depois decidir?” 
E mesmo que só façam uma aula, mesmo que já tenham lido muitos livros, tenham visto no youtube pessoas a voar, a partir objectos com a intenção e outras coisas extraordinárias, só existe uma coisas que pode clarificar todas as dúvidas e expectativas. 
A prática.

9_17_2004_32513244Mito 5: As sensações do Chi Kung são supostas ser “sensações Zen”.

Não sei se quem criou esta idéia das “sensações Zen” alguma vez praticou Zen ou outro tipo de meditação. 

Imaginem a seguinte situação: Vão fazer terapia e começam por descrever a pedido do terapeuta a vossa semana.

Imaginem agora que o terapeuta concordava sempre com as vossas decisões, nunca vos confrontava. 

E às vezes até dizia “você é mesmo bom”, “muito bem”, “fantástico”. 

Agora imaginem que passavam 5 anos com este terapeuta.

Qual seria a vossa evolução no final?

Será que realmente com este tipo de terapeuta tinham chegado mais perto da vossa essência?

De volta ao Chi Kung.

Existe um outro mito a desmontar muito rápidamente.

O Chi Kung não é um exercício físico de Ginásio ou SPA.

E o que eu quero dizer com isto?

O Chi Kung é para ser praticado em parques, em salas minimalistas ou em casa, sem espelhos para nos vermos, sem o ruído do step da sala ao lado, sem bolas de Pilates, sem calçado especial, sem roupa especial, sem música new age, sem imagens e sem incensos e vélinhas. 

e o que fica então?

nós mesmos.

Porque é essa a matéria prima no Chi Kung – nós mesmos.

Quantas vezes todas as “sensações Zen” que são propostas têm como alicerces tudo aquilo que o Zhan Zhuang Chi Kung e o Zen não são?

Pensem nisso.

Imaginem que têm sempre a música alta em casa que vos impede de ouvir outros ruídos. 

Um dia falta a luz.

Existe uma série de ruidos que surgem entre e que antes não eram ouvidos por causa da música, o mais importante – o silêncio.

Conseguem suportar então o som do silêncio?

Depois de tanto tempo com a música alta?

No Zhan Zhuang Chi Kung somos confrontados com este silêncio.

Um dos objectivos do treino é mesmo este contacto.

Como?

Posturas são mantidas às vezes durante 20 minutos num estado de quietude. O praticante observa o corpo e a mente e aprende com essas situações que surgem, sejam elas agradáveis ou menos agradáveis.

Yin e Yang – não convidamos só as sensações que conhecemos como agradáveis mas se outras sensações que são menos conhecidas surgem, também as recebemos e lidamos com elas – nós mesmos. 

Sejamos realistas: Acham mesmo que anos e anos de tensão que um corpo adulto foi sujeito são libertos com “experiências Zen”? 

Ou estamos apenas a tocar a ponta do iceberg?

Qualquer professor de Chi Kung consegue proporcionar uma experiencia Zen aos alunos – isso é o mais fácil e às vezes é importante esporádicamente que surja nas aulas – os chamados momentos lúdicos, mas a longo prazo tenho sérias dúvidas que se não houver o confronto do aluno com a sua própria energia se este tipo de Chi Kung será eficaz e o aluno não estará a perder tempo. 

E o professor também…

O Chi Kung é ir para além de. É para lidar com as zonas cinzentas ou escuras do corpo e mente – os chamados pontos cegos, e que de outra forma só com as “experiências Zen” nunca são tocadas, dando a falsa noção que está tudo bem.

Tradicionalmente isso não passa por perder a consciência de nós mesmos, adormecer-mos durante as meditações ou nas massagems de óleos no SPA – Tudo isto cumpre uma função até certo ponto benéfica, mas não a de nos acordar, de despertar para um contacto mais profundo conosco mesmos.   

Um dia um aluno aproximou-se do mestre Zen e disse:

“- Roshi, hoje tive uma experiência maravilhosa durante a meditação, sinto-me inspirado e mais perto da iluminação.”

Ao que o mestre respondeu:

“- Não te preocupes, medita mais que isso desaparece.” 

Conclusão:

Os mitos urbanos terminam por agora, acho que é importante perceber a raiz destes mitos. E essa raiz está na facilidade que há em criar conceitos mesmo quando estes ainda não foram vividos.

Mas não acontece só como Chi Kung as pessoas falam de futebol quando muitas nunca passaram pela experiência de jogar um jogo a sério de 90 minutos. Isto só é possível na Europa. Na China tradicional fala-se e escreve-se daquilo que já se viveu, é impensável que alguém fale daquilo que nunca vivenciou.

O Chi Kung e outras artes orientais com alguma componente física são impossíveis de experienciar sem ser pela tomada de consciência do corpo. Falei nos livros que são a pior entrada para estas disciplinas por exemplo.

Não há atalhos, não há “outra maneira mais rápida” de saber o que é o Chi Kung senão pratica-lo. 

Não há o “posso ver a aula para depois decidir?” 

E mesmo que só façam uma aula, mesmo que já tenham lido muitos livros, tenham visto no youtube pessoas a voar, a partir objectos com a intenção e outras coisas extraordinárias, só existe uma coisas que pode clarificar todas as dúvidas e expectativas. 

A prática.

One Response to Mitos Urbanos sobre o Chi Kung V
  1. clara galanos
    August 22, 2009 | 22:00

    Que bom ler estes artigos e ficar a pensar neles. Manda mais.

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