Mitos urbanos sobre o Chi Kung I

TH_OldMan_doing_TaiChi_cutDesde que o Chi Kung chegou ao ocidente de forma mais consistente por meados dos anos 80 que tem sido absorvido e praticado por cada vez mais pessoas.

Pouco a pouco à medida que o Chi Kung é divulgado por meio de filmes, livros ou conceitos teóricos de quem viu ou ouviu mas nunca experimentou, foram surgindo tal como se de um ser fantástico se tratasse algumas considerações quase míticas sobre esta arte. 

Pareceu-me bem nos próximos “posts” falar destes mitos urbanos e dentro do possível clarifica-los. 

Mito 1: O Chi Kung é para pessoas idosas e doentes.

Este mito surgiu quando começaram a chegar até nós as primeiras imagens de chineses a fazer Chi Kung ou Tai Chi Chuan. Todos de 70 anos para cima fluíam flexíveis em movimentos que pareciam algumas vezes filmados num ambiente com ausencia de gravidade. A partir dai o senso comum pensou “ah! isto é muito bom para pessoas de idade sénior”. Na maior parte das vezes, as experiências de colocar um grupo de pessoas recentemente aposentadas e que passaram a maior parte da sua vida sentados numa secretária para depois as colocar a praticar movimentos que o corpo e a cabeça nunca ouviram falar, revelou-se no mínimo bastante desafiante para ambas as partes.

A questão principal é muito simples, os protagonistas destes vídeos na sua maior parte começaram a praticar Artes Marciais na China muitas vezes antes de saberem andar ou falar correctamente. Aquilo que vemos nesses vídeos são praticantes que em média têm mais de 60 anos de prática de artes Marciais/Energéticas. 

O que observamos é o “fim da linha” a soma evolutiva de várias décadas de prática.

Não quero dizer que  o Chi Kung não deva ser praticado ou não obtenha resultados em pessoas de idade sénior. É efectivamente uma arte que produz a longo prazo efeitos visíveis em quem o pratica de forma dedicada.

Também a nível de recuperação da doença recordo o hospital chamado o “Hospital dos Condenados à morte” em Pequim, onde quem escolhia ser tratado neste hospital fazia apenas Chi Kung para tratamento de doenças oncológicas. A taxa de sucesso rondava os 30% apenas com uma prática intensiva de Chi Kung. 

Mas não é só para pessoas idosas e doentes. Faz lembrar o pressuposto que é dado também por exemplo à Macrobiótica de que é só para ser utilizada quando se está doente. A nossa imaginação viaja facilmente para restaurantes sombrios em que pessoas de cor alaranjada mastigam arroz integral pelo menos 200 vezes cada garfada. Outro mito urbano criado pela nossa cabeça ocidental que observa sempre primeiro antes de experimentar. 

As artes orientais como o Chi Kung destinam-se a potenciar a nossa energia vital. Qualquer idade pode colher benefícios desta prática quando o praticante é orientado correctamente. Nas pessoas mais idosas poderá ajuda-las  a não perder o contacto  com a sua juventude, nas mais jovens ajuda-as a regular e a direccionar a sua força. Nas saudáveis fortalece o seu estado actual e nos que estão em estado mais debilitado ajuda-os de forma segura e passo a passo a recuperar a sua vitalidade.

Na China existe uma expressão que diz que existem 30.000 estilos de Chi Kung Taoísta e 80.000 estilos de Chi Kung Budista. 

Verdade ou não esta expressão quer dizer que em todos este métodos de Chi Kung há de certeza um método adequado a cada praticante. 

Para quem quiser saber mais sobre o percurso do Chi Kung desde a revolução dos anos 50 na China até aos dias de hoje sugiro o  livro Qigong Fever. 

Uma tese que traça de forma para mim contagiante a história do Chi Kung. É dos livros mais importantes destes últimos tempos pois ajuda a perceber de onde vem tudo isto que hoje estamos a estudar/praticar. 

Em baixo o link para a Amazon… se for o caso disso, boas leituras.

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