Segundo a teoria do Yin e do Yang tudo está em constante mutação. E em relação ao treino o mesmo se aplica.
Simplificando: há dias que pode correr bem e há dias que pode correr mal.
Com o tempo no entanto este estado de bem e mal, de certo e errado dão lugar a um estado de aceitação daquilo que surge como algo orgânico, inclassificável. Mais importante que conceptualizar sobre aquilo que se sente durante a prática é realmente investir numa atitude de que tudo aquilo que surge é bem vindo e passível de ser trabalhado.
E este é um acto pessoal e intransmissível.
No entanto existem factores que se estiverem presentes com alguma constância poderão minar o treino.
Falta de treino: Para os chineses treinar regularmente significa todos os dias se possível de manhã e à noite. Este é factor mais óbvio e não se pode evoluir no treino sem treinar. A falta de treino leva não tanto à perca da memória mental do processo mas à perca de memória física. Quase como o músico que treina todos os dias. Se pára um dia nota diferença. Exteriormente parece igual mas para ele próprio há diferenças.
Repetição maquinal dos exercícios: Lembro que na China antiga estudar artes marciais era equivalente a estudar história, pintura, caligrafia, medicina ou uma outra arte. A prática pede refinamento, atenção e investigação. Numa repetição maquinal dos exercícios não surgem dúvidas. Parece que está tudo bem. Mas não está. E são as dúvidas que fazem evoluir a prática num sentido orgânico. De outra forma o praticante torna-se uma máquina de repetição.
Falta de um plano de trabalho: Cada prática deve ser um mergulho num território desconhecido. E quando há a vontade de explorar um terreno desconhecido deverá haver uma estratégia. Mesmo que ela mude assim que se começa o aquecimento. Pode ser: “hoje vou trabalha mais as pernas”, ou “hoje vou trabalhar mais a intenção”. Este plano deve ser flexível e deve mudar, ou diariamente ou semanalmente ou num outro espaço de tempo. Quando faltam as idéias para um “plano perfeito” as notas das aulas podem ser o “plano ideal” para ser executado nas práticas dos dias seguintes – por exemplo.
Perfeccionismo: Pode impedir o treino mesmo de começar. Nem chega sequer a estagnar
. A idéia que a qualidade do treino não é boa o suficiente para se começar sequer a treinar em casa pode ser um factor de bloqueio para o início de uma prática regular. Ou desmotivadora que mantêm o aluno agarrado ao antigo. Este é também um dos factores que pode impedir alguém dar o passo para o ensino do Chi Kung.
Comparação: Nunca, mas nunca deve ser feita a comparação com outros alunos em relação à nossa própria prática. Tenho visto alunos em que a sua prática por ser tão básica trás mais benefícios que alunos cuja prática é mais complexa e elaborada. No Chi kung não há níveis ou cinturões que definam os alunos uns dos outros. O Chi Kung é uma prática individual e personalizada. Quando se percebe isto o aluno relaxa consideravelmente e a qualidade do trabalho evolui. Deixa de perseguir uma imagem exterior para trabalhar a “imagem” que importa trabalhar – a dele.