Em continuação do post Super Alimentos
“A acção digestiva comum ao Estômago e ao Baço permite a este último extrair a essência dos alimentos que ele distribuirá para ser a base material do “crescimento” do corpo.” – Auteroche, B. – Navailh, P, O Diagnóstico na Medicina Chinesa, Editora Andrei
Esta frase aponta para dois pontos essenciais.
1. Que o “segredo” para a produção de energia vital não está fora de nós mas sim no nosso sistema digestivo.
2. Que a essência do alimento tem uma importância vital e que por outras palavras define a qualidade dos alimentos que são ingeridos.
Descubra as diferenças entre:
Um alimento cozinhado com cuidado em casa com tempo e atitude, e um alimento congelado que é atirado para o microondas e que se come em frente à televisão.
Um alimento produzido localmente e ingerido no dia a seguir e outro que é colhido verde, congelado e enviado para o outro lado do planeta.
Um sumo de fruta feito em casa com fruta orgânica e um que foi engarrafado à dois meses atrás tem um ano de validade e juntamente com os 60% de sumo tem água, açúcar e aditivos.
Um pão de farinha integral feito com fermentos naturais e outro que tem farinha branca, melhorante e fermento químico.
A primeira pergunta fazer antes de comprar um “super alimento” é: será que existe espaço para este novo “input”?
Acha mesmo que no meio de excessos alimentares, colestrol, cafeína e nicotina que um chá verde ao pequeno almoço vai fazer assim tanta diferença a longo prazo?
Ou que no meio de excessos físicos, noitadas e horas extras de trabalho que duas colheres de sopa sementes de Chia lhe vão dar a energia que dava aos soldados Maias que marchavam com essa quantidade o dia inteiro?
Um corpo demasiado estimulado não vai absorver aquilo que lhe é oferecido e provavelmente ainda fica mais confuso.
Qual o uso que se dá aos super alimentos? Para trabalhar mais do que já se trabalha em esforço? Para poder continuar a cometer os mesmos erros alimentares? para continuar a privar o corpo do descanso apropriado?
“Nothing can be lost or gained. Everything is here.” - Clark Strand.
ou
Esqueça os Super Alimentos e aprenda a produzir o seu próprio combustível.
Utilizar o combustível adequado. A gasolina sempre esteve ligada a motores de explosão rápida e o gasóleo a motores dos quais que se exige mais resistência. Depois existem combustíveis específicos para carros de fórmula 1, aviões, foguetões, tractores e motorizadas. É importante observar se quem está sentado a uma secretária não anda a ingerir combustível de fórmula 1, nem quem está em constante actividade usa combustível para passear ao domingo.
É importante um combustível que proporcione a energia necessária para cada um realizar o seu sonho. Não há [ainda bem] fórmulas. Faz parte do processo de aprendizagem de criação perceber aquilo que o nutre e quilo que o debilita. Existem alguns indícios que o combustível que está a ser usado pode não ser o mais correcto.
Acordar sem fome de manhã
Acordar sem energia
Sono após as refeições
Cansaço, mente desfocada e irritabilidade a meio da manhã e/ou a meio da tarde
Ser capaz de matar por algo doce a meio da tarde e/ou manhã
Comer em excesso à noite como se o fim do mundo fosse já a seguir.
Sentar-se ou para e adormecer de imediato
Preferência excessiva por um alimento ou sabor.
Visita obrigatória para quem quer mudar para um combustível de qualidade Biocoop, Miosotis, Brio.
Preferir combustível local. Utilizar alimentos que são nacionais ou na mesma latitude são escolhas mais acertadas. Uma das razões é que os alimentos que nascem numa longitude diferente tem características diferentes do clima onde nos encontramos. Ou seja, existem bananas no Brasil porque é o local onde elas são provenientes. Se não houvesse recurso a estufas ou a transportes de longo curso esses alimentos nunca chegariam até nós. Como tal não são adaptados ao nosso clima. Consumir em excesso alguns alimentos para criar o nosso combustível, alimentos esses que não têm a ver com a “área de residência” torna o organismo incapaz de se adaptar às condições reais do momento porque está a utilizar alimentos com características de uma clima diferente. Ir às lojas de produtos biológicos acentua essa vantagem. A maioria dos alimentos são nacionais e da época. Bastante didáctico.
Produzir o próprio combustível. Aprender a cozinhar é uma questão de sobrevivência e é uma verdadeira arte alquímica. Confere uma maior possibilidade de criar aquilo que é realmente o nosso combustível ideal. O caminho é longo mas quando existe uma escolha consciente em o percorrer o céu torna-se o único limite.
Produzir combustível de qualidade. Cozinhar em microondas ou em máquinas fabulosas em que corre sempre tudo bem pode ser uma questão a ponderar se afinal os clássico chineses sempre têm razão sobre a existência da essência nos alimentos. E quando todos os argumentos científicos dizem que não, que a qualidade é a mesma, existe um elemento que não existe nessas máquinas – Amor.
Encher o depósito com regularidade de preferência antes de entrar na reserva. Abastecer-se com o “estômago colado às costas” acaba muitas vezes no consumo do dobro daquilo que se é suposto consumir. Facilmente se percebe que comer um rissol e uma sopa ao almoço se transforma numa corrida desenfreada ao frigorífico mal se entra em casa, assim como num jantar que a quantidade de alimentos ingeridos faz crer que “vem ai a guerra”. O Mestre Zen Kido Inoue aconselhou como base para a prática da postura sentada: “Não esperem estar tensos para mudar a postura das pernas, façam-no antes de começarem a sentir desconforto”.
Muda a estação muda o combustível. Cada estação pede um combustível específico para tirar o melhor partido possível da estação. Acho que é difícil imaginar um jantar de Natal com bacalhau ou peru no forno, batatas, grelos, bolo rei, sonhos e outras iguarias no pico do Verão. Assim como é desolador pensar que em Dezembro o jantar de Natal seria à base de Sumos, saladas e sardinha assada. A sensação de peso – a palavra é mais “empastelamento” – mental e físico, na estação quente ou a sensação de vazio e fragilidade na estação fria é sinal que os ajustes são necessários.
Não afogue o sistema. Demasiado combustível mesmo saudável pode afogar o sistema. A regra de parar de comer quando ainda se tem fome continua a ser aplicável tal como na antiguidade – É um dos factores estudados como factor importante das sociedades em que a média de idades ronda os algarismos com três dígitos. É de observar também que certos alimentos afogam mais o sistema que outros – proteína animal pesada, lacticínios e alimentação demasiado processada tendem a curto ou a longo prazo afogar o sistema ou a torna-lo mais lento. Ao passo que as proteínas vegetais e os cereais integrais são e alimentos que mesmo em pequenas quantidades permitem fazer mais milhas com energia e estabilidade.
Variar o combustível. Surfar a impermanência. Agarrar-se a uma fórmula é agarrar-se a um tipo de combustível que pode resultar agora mas mais tarde torna-se inapropriado. Requer estudo, coragem e reflexão para saltar muitas vezes no vazio ou manter uma posição. A vida está em constante mudança, vamos avançado nos anos, vamos convivendo com pessoas diferentes, mudam os empregos, os ritmos, os hábitos porque é que o combustível não deverá também mudar? Mais uma vez nas palavras do Mestre Zen Kido Ionue – “Different foods, different intelligences”.
“Less is More”. Um bom combustível não tem de ser uma operação ao cérebro. Simplificar e questionar a forma de o combustível ser o mais simples e o mais nutritivo possível faz parte do dia a dia do alquimista que decide explorar esta arte. No passado a maior parte das civilizações disponham apenas de um cereal local, um vegetal local e uma sopa, em certas situações especiais haveria talvez uma proteína. Acredito que se chegamos até os nossos dias como civilização deve-se a em parte a hábitos alimentares simplistas e frugais das civilizações que nos antecederam.
A arte de acordar o nosso potencial e criar a nossa fonte de energia pessoal e intransmissível obedece à ideia que tudo é utilizável desde que se saiba como o produzir esse combustível, quando o produzir e em que quantidade deve ser utilizado.
“Dilios, quando acabarmos com o exército persa vou-me dedicar ao ramo alimentar – acredito que tem futuro” – Lenoidas – Agosto de 480 a.C. – Pouco antes do primeiro embate com o exército de Xerxes.
Artigo relacionado Super Alimentos

Nem penso mais, está decidido: … não vou afogar o sistema, vou variar de combustivel, preferir combustivel local, de qualidade, e pensar seriamente no produto alimentar biológico, isto se não vier a dedicar-me definitivamente ao ramo alimentar, seguindo o exemplo do astuto soldado Dilios! Está decidido e pronto!
Jorge
Parabens pela qualidade de todos os textos, que encontrei aqui, sobre este assunto.
Ainda nao percebi bem aonde estou; nem como eh nem qual eh este site. Isto eh um blog ou um portal?
Mas estou maravilhada com o que tenho lido. Durante anos escrevi sobre estes temas sozinha. Agora ando a descobrir tantas afinidades. E fico muito contente.
Parabens!
Continuem.