Super Alimentos

Em Agosto de 480 a.C. deu-se a batalha de Thermopylae. De um lado os Persas e do outro Esparta. Uma das características que tornou este confronto tão célebre foi a diferença numérica entre  os dois exércitos. Segundo fontes históricas Leonidas – à frente do exército espartano tinha a seu comando cerca de 7,000 soldados não apenas de Esparta mas de algumas provincias gregas que se colocaram ao seu comando, enquanto os Persas eram para cima de um milhão. Durante dois dias Leonidas e o seu exército fizeram frente ao exército Persa, enquanto defendiam o desfiladeiro de Thermopylae. A sua derrota deveu-se a terem sido traídos por um informador que deu a conhecer aos Persas um caminho que permitiria circundar o desfiladeiro e cercar o exército de Leonidas.

A história pode ser parcialmente revivida no filme 300 realizado por Zack Snyder baseado no romance de banda desenhada de Frank Miller. Quem não viu vale a pena seguir o link para o trailer.

O filme conta esta batalha e é narrado por um dos soldados de Leonidas – Dilios.

Enquanto pensava no artigo sobre os Super Alimentos pensava num dos possíveis diálogos entre Dilios e Leonidas pouco antes do primeiro encontro com os Persas.

Leonidas: Dilios, diz-me como estão os soldados.

Dilios: Leonides, os soldados estão moralizados e cheios de energia e já tomaram todos o batido proteico Hércules  ao pequeno almoço.

L: Batido proteico Hércules? Mas na última batalha estavam a tomar o batido proteico Apolo Power.

D: Sim eu sei mas o batido Hercules estava com desconto grande para mais de 5000 embalagens, além disso o Batido Hércules é 100% sem OGM e fabricado apenas com produtos provenientes da Grécia.

L: Sim está bem, e que mais?

D: Temos alguns soldados com obstipação… a festa de despedida foi um bocado dura para alguns, especialmente aquelas misturas todas. Alguns estão a sopa de Miso.

L: Sopa de miso? então e os iogurtes de probióticos?

D: Alguns dos soldados insurgiram-se contra os iogurtes, dizem-se intolerantes aos lacticínios e alguns até dizem que o leite é proveniente de vacas Persas.

L: E queixaram-se também das novas cápsulas de óleo de salmão?

D: Alguns sim, diziam que lhes dava mau hálito, que sentiam o sabor do salmão na boca durante a manhã enquando marchavam. Mas mudamos a toma para antes da refeição e a maior parte deles estão satisfeitos.

L: Um exército satisfeito é importante Dilios, este é um dos segredos do exército Espartano – Vai mais um pouco de chá roiboos de comercio justo antes de por o capacete?

… e por ai fora.

Hoje em dia estão muito em voga os Super Alimentos e os suplementos, alimentos que fazem milagres que prometem a transformação – quase imediata em soldados espartanos. Com força, energia e clareza mental.

Os suplementos são uma ideia muito recente. E muitos dos super alimentos que nos chegam até nós colocam algumas questões importantes.

O local de onde vêm. O facto de virem do Caucaso, ou do Paquistão não nos faz viver 120 anos se forem consumidos todos os dias. Além disso os locais onde vivem as pessoas que consomem estes produtos não só na maior parte têm necessidades diferentes das nossas, como o clima é diferente, e os hábitos de vida são diferentes do consumidor europeu desses produtos. Basta dizer que no passado um Unza do Paquistão além do óleo de sementes de pêssego que contêm propriedades incontáveis fazia cerca de 10km por dia para ir cultivar o seu terreno.

Contra indicações. Será que não têm mesmo contra indicações? Será que podem ser tomados a longo prazo? E em quantidades que são muitas vezes irreais comparativamente ao que tradicionalmente eram consumidas? Duvido muito que se consumisse os litros de Kefir que se consomem comparativamente ao que se consome no seu local de origem. Ou que originalmente o Guaraná fosse uma criação para as pessoas conseguirem fazer directas ao fim de semana ou quando ignoram que o corpo precisa mesmo de descansar.

Mas afinal porque é que precisamos dos Sal dos Himalayas?

Existe um conceito que é o conceito de autóctone. Significa segundo a wikipedia que “é aquele que é natural de uma determinada região”. Fundamentalmente foi o que esses povos fizeram. Pegaram naquilo que tinham e descobriram alimentos e procedimentos que lhes permitiam melhorar a qualidade de vida.

E sinceramente nos dias de hoje as pessoas no geral têm acesso a um sem número de alimentos em quantidades ditadas pela bolsa e pelo desejo de cada um.

Então será que a questão está mesmo na falta de alimentos? Ou no excesso deles?

Nos locais de origem desses alimentos na maior parte das vezes os alimentos não abundam, e o engenho humano – esse sim universal, encontrou outros alimentos que têm todos na sua maior parte denominadores comus – são fáceis de obter e gratuitos, crescem nas árvores, são raízes, flores, frutos, algo que se pudesse juntar ao leite e fazer iogurte, uma alga que fosse simples de adquirir que crescesse “ali ao pé” e que pudesse  com frequência moderada ser consumida para enriquecer o menu. Muitas vezes bastante escasso. Esses alimentos eram consumidos por necessidade ou com a parcimónia e em alturas específicas. Não porque sim.

Antes de consumir alguns tipos de cactos alucinogénicos o Xamã preparava-se pelo menos um ano antes de os consumir.

Uma vez numa palestra de alimentação alguém com excesso de peso perguntou a um rapaz magro. Diga-me o que é que come para ser assim tão elegante.

O rapaz respondeu: “desculpe mas não lhe digo, senão a senhora engorda ainda mais. É que vai comer aquilo que eu como mais aquilo que já comia”.

Os suplementos e super alimentos são assim também usados hoje. Por cima de uma alimentação incorrecta consomem-se ao mesmo tempo alimentos e bebidas que emagrecem. Por cima da abstinência voluntária de sono e cansaço extremo – consomem-se tónicos. Por cima de um corpo intoxicado consome-se alimentos para desintoxicar.

O princípio é o minimalismo na acção, não aquilo que se tem que consumir para por exemplo ter mais energia, mas aquilo que se deve deixar de ingerir para reconquistar essa energia.

… a continuar - Super alimentos o guia definitivo.

9 Responses to Super Alimentos
  1. Catarina
    March 16, 2010 | 18:46

    No meio de tanto deslumbramento com os anti-oxidandantes e outros suplementos … é este o caminho ! Limpar em profundidade, ir à raiz e com bom senso, em vez de nos carregarmos com camadas e mais camadas de produtos que dizem que nos vão salvar ou melhorar a vitalidade ! Escutar o corpo e ouvir o que a terra onde habitamos nos diz e nos dá ! Sim … os produtos autóctones, os que AQUI nascem.
    Mesmo assim, com o nível de vida louco de muitos, alguns suplementos podem ajudar. O ideal era vivermos perto da fonte, junto da terra e gerir a energia que nos move com mais presença e consciência nessa envolvente. Mas também o podemos sempre fazer, onde quer que estejamos.
    Gostei do artigo. Genial o diálogo entre superforças Espartanas !

    Contínua !

    Obrigada

  2. Jorge
    March 17, 2010 | 11:32

    Introdução de uma criatividade estonteante … o diálogo entre Leonidas e Dilios, do melhor!E a mensagem passa muito bem: toca a deixar de fazer asneiras para depois tentar emendar com suplementos “milagrosos” e outros malabarismos.

    Não vou perder as cenas dos próximos capitulos
    Cumprimentos,
    Jorge Falcão

  3. Marta K
    March 17, 2010 | 17:16

    Adorei o 300 :) Muito bom.

  4. clara galanos
    March 17, 2010 | 22:47

    Meu querido ainda hoje te disse que estás cada vez mais a deixar vir cá para fora o maravilhoso potencial que tens em ti.Love you

  5. SARA
    March 20, 2010 | 01:44

    Adorei o artigo, excelente humor,excelente mensagem..

  6. Raquel
    April 21, 2010 | 21:44

    A criatividade está em pegar nos vários factos da realidade, coloca-los numa misturadora e gerar algo que vai para além dos ingredientes…Obrigado por partilhares um dos teus “cozinhados”, onde brilhantemente combinas espirito, energia e essência!

    Excelente e profunda mensagem… Parabéns!

    Fico à espera de mais uns croquetes..

  7. cecilia
    June 11, 2010 | 10:18

    pois

  8. Jorge Costa
    June 12, 2010 | 16:53

    Caro Lourenço: continua que estás na senda certa! Além de tentares ensinar as pessoas a comer para viver e não viver para comer, ainda vais distribuindo umas pérolas de cultura universal, bem infelizmente muito mais escasso, nos dias que correm, do que a quantidade imensa de alimentos que os países ricos têm à sua disposição,” vindos das quatro partilhas do mundo”, fora de época, amadurecidos à pressa e carregando com eles energia da terra de estações diferentes daquela em estamos.
    A comida não é boa só porque sim, mas porque a TERRA nos dá o que precisamos, na altura do ano em que é necessário e para que vivamos ao seu ritmo e não ao ritmo que uma miríade de corporações,materialmente
    gananciosas, nos quer obrigar a viver!
    Um abraço
    Jorge Costa

  9. devagar
    June 13, 2010 | 18:17

    Obrigado pelo teu comentário Jorge, Um abraço e até breve.

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