“Mesmo as grandes caminhadas iniciam-se sempre com um passo”
Autor desconhecido
Há cerca de 4100 anos atrás viveu alguém na China que ficou conhecido como o Grande Yu. Este general conseguiu fazer o que até agora ninguém tinha conseguido fazer. Conseguiu regular os rios mais importantes da China.
As tentativas dos seus antecessores tinham falhado. Tinham-se erguido barragens para conter os rios e impedir as águas de inundar os terrenos de cultivo e as povoações. Mas mais tarde ou mais cedo estas barragens acabavam por ceder e as inundações causavam percas humanas e materiais.
Quando o Grande Yu foi encarregue da tarefa de conter os rios recusou-se a seguir os caminhos que tinham sido trilhados no passado. Ao fim de 13 anos conseguiu que de forma duradoura os rios deixassem de ser um problema para as populações e culturas das regiões que irrigavam.
Como?
Em vez de construir barragens como os seus antecessores criou forma de os rios circularem até ao mar. Em vez da força das águas ser contida criou canais que drenaram as águas fazendo circular em vez de bloquear. É a grande diferença entre controlar e regular. O controlo colapsa a longo prazo a regulação não.
Para mim o Grande Yu foi o primeiro minimalista de que há registo.
Daqui podem-se extrair alguns princípios deste conceito que é tudo menos mental – é uma arte.
Criar forças de circulação em vez de bloqueio.
Este é o princípio de todas as artes orientais.
- Na Acupunctura, Massagem e Chi Kung regula-se a energia vital de forma a resolver bloqueios que se acreditam são a causa de todos os desequílibrios.
- No Feng Shui é colocada uma atenção para que não existam fontes de bloqueio no espaço e para que o Qi circule de forma harmoniosa.
- Na alimentação oriental tradicionalmente alimentos “mais pesados” como a proteína animal eram de uso escasso e substituindos por alimentos mais leves que criam uma maior dinâmica no organismo. Eram utilizados preferencialmente a proteína vegetal ou alimentos indicados à constituição e condição de cada indivíduo.
Acessibilidade: Embora o Grande Yu estivesse a trabalhar a uma dimensão grandiosa o processo que iniciou foi um processo mais simples e de custo bastante mais reduzido que se tivesse optado pela construção das barragens. As soluções minimalistas devem ser de custo baixo ou se possível gratuitas.
- O Chi Kung mediante um investimento bastante baixo é uma arte que permite criar condições para desenvolver o nosso potencial a vários níveis, assim como prevenir algumas condições que podem ser patológicas.
- Uma alimentação biológica e mais saudável e não é mais cara. Compra-se menos e obtém-se mais. Uma alface biológica custa poderá o mesmo preço ou sensivelmente um pouco mais mas pode durar mais que uma semana. Uma alface “química” no máximo dura 3 dias – acho que é fácil fazer os cálculos.
- O Feng Shui básico está ao alcance de toda a gente. Manter a casa limpa, arejada e iluminada é simples e por isso talvez tão difícil que é necessário complicar depois tanto. Há com certeza mais conhecimento que permitem chegar mais longe na regulação do espaço, mas o mais importante é a criação de condições mais simples. Depois dos rios regulados então de uma forma mais fácil é possível construir as barragens.
Criatividade: Acredito que o Grande Yu era de certo uma pessoa além de dedicado ao seu trabalho era de certo criativa. Quando não há criatividade é mais fácil optar por soluções já feitas ou por seguir caminhos já trilhados. Somos únicos e cada situação é única. Como tal exige-se soluções únicas.
Persistência: A obra do Grande Yu demorou 13 anos, o minimalismo necessita uma atitude de continuidade e escuta constante em direcção ao objectivo proposto. Não tem a ver com um acto ou com um movimento rígido que se mantêm inalterado até ao fim dos tempos. Para mim um acto minimalista é aquele que quando executado acompanha os ciclos e os movimentos do universo e se mantêm com o tempo de acordo com estes mesmos movimentos sem esforço.
Movimento gradual: “O pequeno movimento é mais importante que o grande movimento” – Wang Xiang Zhai, o pequeno movimento é mais facilmente regulável. Grandes movimentos no minimalismo resultam muitas vezes em acções que são difíceis de acompanhar. Esta história para mim é curta e inspiradora – A avó de um amigo meu aos 60 anos começou a partilhar e a dar as suas posses numa base continuada e sem pressa. Quando morreu em casa aos 80 de forma natural, estava feliz, tinha a família toda com ela e pouco mais que a cama e a roupa que tinha vestida. Os processos continuados e lentos são os mais estáveis, permitem que os ajustes sejam feitos na dose certa à medida que a vida e as nossas acções se desenrolam. Estes actos visam melhorar a qualidade de vida e não actos actos fundamentalistas ou que vão criar ainda mais bloqueios. Por mais que eu gostasse de aliviar a minha biblioteca para ter mais espaço em casa, sou sincero e não o faço porque ainda preciso da maior parte dos livros que lá estão.
Sustentabilidade: Ainda hoje o Grande Yu é relembrado porque o seu trabalho há 4100 anos atrás ainda persiste ou pelo menos o princípio do seu trabalho continua a ser aplicado. As acções minimalistas devem ser auto sustentáveis ou pelo menos a sua manutenção deve ser fácil depois do processo iniciado.
Inspirado pela história do Grande Yu e pela a ideia de minimalismo decidi prpor-me a efectuar 52 pequenos actos minimalistas.
Duas condições.
- Um movimento minimalista por semana durante um ano – mas se não o fizer também não vai ser o fim do mundo.
- Os movimentos devem ser de custo zero ou o investimento terá de ser menor que o benefício que se irá obter.
Próximo post – Movimento #1 – Espero também que esta viagem vos inspire a tentar algumas das coisas ou pelo menos a reflectir sobre a forma de minimizar rotinas, processos e quebrar alguns padrões instituídos.

Cada vez mais estou a tentar tornar o meu “environment” minimalista, mas de facto os livros são os objectos dos quais mais me custa separar. Aguardo o próximo post.
A questão dos livros é também delicada para mim, há aqueles que já lestes, os que estão para ler, os que consultas, e os outros que com sinceridade se olhares para eles nunca os vais ler. A sinceridade e a equanimidade no processo minimalista são os factores mais importantes.
ADOREI “tropeçar” neste espaço. FANTÁSTICO!
Obrigado Paula