Movimento Minimalista #1 – Minimizar até ao último Megabyte.


“A iluminação encontra-se nas tarefas do dia a dia, por isso é tão difícil de reconhecer”
Wang Xiang Zhai

Derivado a situações de falta graves vividas nas zonas mais industrializadas do planeta há algumas décadas atrás [tempo dos meus pais e avós] as novas gerações [a minha e outras a seguir] têm sido assoladas pelo sentimento de que existir a falta de algo pode ser catastrófico. E este sentimento [diria medo ou insegurança] leva a que se procure que nada falte a todo o custo.

Cultiva-se a vontade de tocar a velocidade infinita. Qualquer acção que demore menos que o imediato torna-se preocupante. No computador, nos programas e internet.

A energia que temos em casa e nas empresas tem que ser inesgotável. Tem que ser possível que as luzes fiquem acesas durante a noite, computadores ligados, aparelhos em “stand by” – com a “luzinha” vermelha acesa.

O corpo humano deverá ser eternamente tudo, menos que isso torna a vida uma coisa impensável e insuportável.

A última tecnologia tem que estar acessível e tem de ser adquirida HOJE com o receio que surja uma incompatibilidade, que a performance seja comprometida de alguma forma por uma máquina mais lenta, um telemóvel desactualizado ou um sistema operativo que seja incompatível com um qualquer protocolo ou ficheiro.

Mas é bom lembrar também que

Mais velocidade no computador e na internet leva a criação de tarefas mais complexas e cria uma sensação de lógica estranha de que – “afinal se o computador está mais rápido, os programas mais rápidos, a internet mais rápida porque é que cada vez as pessoas trabalham mais?”

A procura de energia infinita vai levar cada vez mais à procura de soluções em que o mais importante é a produção de energia massiva e essa produção muitas vezes coloca o factor humano e o ambiente em segundo plano.

Um dia mais tarde ou mais cedo mais jovem ou menos jovem mais silicone ou menos silicone morre-se. [ponto]

A compra de novas tecnologias por quem as utiliza deveria pressupor

  1. Ter tempo para as utilizar e desfrutar
  2. Cabeça [vulgo Inteligência] para as utilizar e tirar delas o máximo partido
  3. Trazer melhorias efectivas na forma como se comunica trabalha etc.

Ou por outras palavras quantas pessoas tiram o máximo potencial do telemóvel, do sistema operativo, ou do computador novo que adquirem?

Em 28 de Agosto de 2009…

Há empresas que muitas vezes misturados com movimentos menos inteligentes têm momentos de gemiais – É assim o novo sistema operativo da Macintosh. – Snow Leopard. Este sistema é por si só um sistema minimalista. A Apple em vez de adicionar novas funcionalidades investiu tempo em criar um sistema que é o resultado de uma optimização dos anteriores para um mais pequeno e rápido -Excelente.

No entanto depois de o ter instalado percebi que a máquina se tornou muito mais lenta, este sistema ocupa menos disco é verdade, mas tem um apetite mais voraz em relação à memória.

Há medida que observava a memória a ficar cheia apenas com os programas de arranque, pensei na solução mais óbvia – comprar memória. Observava o computador a debater-se cada vez que eu abria uma aplicação nova, ter 14 e muitas aplicações abertas ao mesmo tempo deixou de ser possível a internet era lenta, a abertura da máquina estava lenta, o fecho era lento – tudo era lento.

Depois de reflectir cheguei à conclusão que o adquirir mais disco ou mais memória não iria resolver o problema de base. A minha experiência passada é que quanto mais disco tenho mais o encho e quanto mais memória tenho mais descuidado fico na sua gestão. É muito fácil [pelo menos para mim] “nas electrónicas” entrar no raciocínio que se faz “até dar”, quando não der compra-se algo que dê… até dar… and so on.

A solução nestas situações passa sempre por valorizar o que se tem em vez de querer aquilo que não se tem.

Movimento #1 -Limpeza sóbria mas sem piedade.

Ficheiros MP3 – Descobri que tenho ficheiros de música que nunca utilizo. Isso ocupava-me 1/4 do espaço da drive. Afinal para que quero quase 30 dias de música no iTunes? Afinal quantos álbuns me consigo lembrar que tenho? E quais são aqueles que eu oiço com mais frequência? Sem ter uma idéia muito clara movi todos para uma drive de backup que tenho. Espero que à medida que vou precisando os carregue de novo para o disco o que até agora e passado um mês ainda não aconteceu sentir a falta de nenhum. Tenho ouvido o iTunes radio que tem uma selecção de centenas de rádios e ao mesmo tempo conheço novos artistas e novas tendências. Futuramente quero fazer a lista dos álbuns que ainda me lembro e voltar a carrega-los ou estabelecer um limite de 5 a 10GB para os ficheiros de música…. ainda não sei o que fazer com MP3′s que não me lembro.

As Fotos e os ficheiros da pasta de downloads levaram o mesmo fim, os ficheiros que descarreguei em tempos estão temporariamente na drive de backup se não forem precisos até ao fim do ano serão eliminados.

Desktop – Limpo e arejado sem nenhum ficheiro – dizem que também acelera os computadores. Em vez de textos e pastas que são criadas neste local muitas vezes de forma apressada o que com o tempo resulta num ecrã caótico cheio de informação que não interessa e que muitas vezes esqueço o seu conteúdo ou importância.

  1. Movi para a drive de backup tudo o que não interessa – já nem me lembro o que era…
  2. Cada vez que preciso de guardar um ficheiro faço-o para pastas específicas no computador ou depois de utilizar estes ficheiros apago-os.

No final o meu desktop ficou como a imagem de abertura do Post.

Programas que não utilizo – Para que me servem quatro “browser’s”? O Google Earth é bonito mas quando é que eu o utilizei da última vez? Quantos processadores de texto preciso?

  1. Avaliei as minhas necessidades reais – preciso mesmo de ter quatro browser’s, ou de tantos programas de manipulação de imagem?
  2. Quando foi a última vez que utilizei estes programas?
  3. Eliminei todos aqueles que estavam repetidos em funcionalidades, que posso re-instalar com facilidade, ou que posso descarregar da internet se voltar a necessitar deles.

Tal como os outros tipos de ficheiros já lá vai um mês sem sentir falta daqueles que abdiquei.

Guardei três jogos o Chess, pac man e tetris. :) – até ver.

Limpeza do email – Recebo os meus emails no computador que são descarregados do gmail. Ao longo de 3 anos no inbox foram acumulando quase 2000 emails, separei os mais importantes e desfiz-me dos outros. Podemos fazer esta tarefa com o coração e demorar muito tempo ou com a cabeça e demorar 30 minutos. De qualquer forma sei que se algum foi apagado indevidamente no futuro posso sempre recorrer ao servidor do gmail onde estão todos os emails importantes que recebi nos últimos 5 anos. Assim, todos os emails que chegam:

  1. Apago os que não interessam.
  2. Respondo aos que posso responder no momento.
  3. Criei uma pasta de pendentes para os que posso responder mais tarde que tento religiosamente manter abaixo das 20 mensagens.
  4. Tenho algumas pastas onde coloco por exemplo mail relacionados com os blogs que subscrevo, ou assuntos que estou a tratar de momento como workshops ou viagens. Mais tarde quando passam de prazo apago-os.
  5. Quando consulto o email fora de casa no gmail elimino logo os que não me interessam antes de os descarregar para o computador.

Unitasking – A possibilidade de poder ter muitas aplicações abertas ao mesmo tempo pode ser demoníaco, mais uma vez a noção do “até dar” atrasa o computador. Passei a utilizar aquilo que “abro” de forma consciente e apenas ao nível das minhas necessidades.

  1. Quando estou a navegar estou a navegar. Quando estou a ver emails estou a ver emails. Quando estou a processar a processar texto estou a processar texto. Existem dias de tarefas combinadas é claro, mas no máximo consigo ter não mais que 5 aplicações abertas.
  2. Quando muito tenho o iTunes ligado de fundo para criar ambiente.

A curto prazo neste mês tenho me apercebido que o facto de o email ou o browser só estarem ligados quando necessários permitem que me foque mais no que estou a fazer. Não estou constantemente a mudar de janela quando chega um email ou a passear na net. E a velocidade e eficácia de desempenho tornou-se bastante maior – a minha e da máquina.

Depois destes pequenos movimentos fiquei com pouco menos de metade do disco rígido vazio passei de 20GB livres para 70 GB e para ser sincero só me lembro de ter assim o computador tão rápido quando o comprei.

Para este primeiro movimento é necessário ter um disco disponível para guardar a informação supérflua. Para quem não tem poderá em alternativa guardar em DVD. Escrever a data e o que foi gravado neste suporte. Se passado uma data estipulada [habitualmente um ano] este DVD não for utilizado poderá ser deitado fora ou arquivado.

No Feng Shui a porta de entrada é muito importante na casa. Hoje, além das portas reais temos as portas virtuais que devem também estar limpas e arrumadas para que exista um circular desimpedido de informação.

Para aprofundar mais sobre a forma de criar mais com menos no seu computador sugiro duas páginas uma para Mac [Speed up Mac OS X Leopard] outra para Pc [17 dicas para deixar o windows vista mais rápido ].

2 Responses to Movimento Minimalista #1 – Minimizar até ao último Megabyte.
  1. cecilia
    April 26, 2010 | 10:19

    ai bolas escreve menos palavras.
    escreves tão bem, mas eu tenho imensa dificuldade para ler passadeiras no computador.
    beijo grande

  2. Marta K.
    April 27, 2010 | 14:03

    Muito engraçado! Adorei. Transportar práticas e ditos antigos para os dias de hoje, nomeadamente em termos de navegação de internet

    Eu por acaso não sou exemplar no que toca à navegação da internet: sou daquelas que abre várias tabs no firefox ao mesmo tempo e enquanto não abre uma página, estou a ler a outra… :/

    Mas é verdade que temos tendência para guardar coisas, porque temos aquela noção que “pode fazer falta”. Quando não é assim. Precisamos na realidade de muito pouco.
    As musicas do mp3 são também um bom exemplo disso. Temos mais do que realmente vamos ouvir, mas temos lá porque pode pode ser preciso. Por isso mesmo, faço frequentemente limpezas virtuais a tudo: pastas, emails, mp3, e nunca senti falta de nada depois disso. É uma leveza!

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