[Artemísia no seu estado natural]
[Artemísia preparada]
Um dos meus objectivos quando criei este blog foi de criar um espaço que permita a quem o visita a oportunidade de compreender e aceder ao seu potencial. No entanto, é da minha intenção divulgar movimentos ou acções de outros que quer no meio virtual ou no meio real [descubram vocês mesmos as diferenças], estejam empenhados criar algo que esteja também a abrir espaço para que este potencial se manifeste.
Neste contexto surge o projecto Moxafrica,
Imagine que tem uma doença altamente contagiosa que deveria de reagir à medicação tradicional – vulgo antibióticos.
Mas essa doença que no passado era possível controlar por este meio neste momento já não reage à medicação habitual – porque se tornou resistente.
Sem esse medicamento quem é infectado e não reage à medicação morre pois não existe à partida outra solução.
Assustador mas real.
Estou a falar da Tuberculose em Africa. Neste momento morrem cerca de 2000 pessoas POR DIA. Antes, muitas destas mortes deviam-se ao facto de não haver acesso ao tratamento adequado. Hoje muitas tem como raiz o facto de o vírus ter mutado tornado-se resistente aos antibióticos que existem para o seu controle.
O projecto Moxafrica partiu da vontade de vários acupunctores que praticam Acupunctura Japonesa em Inglaterra. É uma organização que vive de donativos. Iniciada em 2008 tem como finalidade investigar e aplicar a moxabustão no tratamento da tuberculose, especialmente em situações que esta doença se tornou resistente aos medicamentos e em locais de recursos reduzidos ou inexistentes.
Objectivos:
Permitir às pessoas infectadas com Tuberculose uma forma eficaz de serem tratadas utilizando a moxabustão.
O que é a moxabustão?
A moxabustão é uma forma de terapia que utiliza a planta artemísia que depois de processada permite que seja queimada sobre a área que necessita ser tratada ou em pontos específicos do corpo.
Imagine-se o tabaco:
O tabaco pode ser processado e transformado em cigarros. Quando aceso o cigarro permite ao ser aproximado de uma zona cutânea a uma distância correcta fornecer calor a essa área. Agora imagine que se poderia moldar o tabaco e fazer pequenos cones. Esses cones seriam acessos sobre a pele. Quando o cone estivesse prestes a ser consumido e antes de queimar a pele era retirado sendo a sua função fornecer um suave estímulo de calor sobre essa área. Ainda outra hipótese, pegar no tabaco molda-lo de forma a fazer um cone do tamanho de um pequeno grão de arroz, coloca-lo sobre a pele, acender este pequeno grão e deixa-lo quiemar até ao fim sobre a pele. O que é sentido é uma leve picada. Como se fosse uma picada de mosquito.
O mesmo pode ser feito com a artemísia sendo a artemísia a planta que ao longo dos séculos tem sido escolhida como planta de eleição. Pode ser utilizada em cigarros/charutos, moldada em cones grandes ou pequenos como grãos de arroz.
[Artemísia preparada e os respectivos cones do tamanho de um grão de arroz]
Historicamente os chineses e os japoneses têm desenvolvido esta técnica de forma a tornar-se numa forma muito eficaz de terapia.
Existem vários estudos que demonstram a eficácia da moxabustão, nomeadamente na regulação do sistema imune. [ver rodapé do post com alguns dos estudos associados].
E porquê a moxa?
- Tem sido utilizada durante séculos para o tratamento da Tuberculose na China
- Foi utilizada no Japão nos anos 30 relacionada com estudos para a recuperação da Tuberculose.
- É acessível monetáriamente.
- É fácil de aprender e utilizar.
- É segura.
- Não é patenteavel.
- Pode ser utilizada em pacientes com ou sem resistência aos medicamentos.
Este projecto está a ser levado a cabo no Uganda com resultados suficientemente promissores para não ser descontinuado.
No entanto, neste momento está em riscos de terminar devido à falta de fundos.
Penso que poderá valer a pena passar pelo website http://www.moxafrica.org e conhecerem de uma forma mais profunda este projecto e se houver interesse por pouco que seja colaborem com esta iniciativa – mesmo que de forma simbólica.
Em média um medicameno para sair do mercado poderá custar cerca de 200 milhões de dólares em investigação. Uma iniciativa como esta de elevada projecção e eficácia a nível humanitário tem um orçamento previsto para este ano de 35 mil libras que vão directo aos organizadores e que são aplicados também directamente em campo – sem intermediários.
Outra forma de colaborarem é fazerem o share deste post pelo facebook ou twitter e darem a conhecer esta iniciativa pioneira que merece alguma atenção por parte de todos.
foram colocados dois vídeos no youtube que ilustram o que eu acabei de escrever e que valem a pena serem visualizados.
Muito obrigado pela vossa atenção.
Estudos sobre os efeitos da moxabustão.
1. Histological study of skin treated with moxa. Shimetaro Hara. Fukuoka University Medical Journal. 1929; 22:2. Old Japanese.
2. Recovery tendencies of tuberculous animals treated with moxa. Shimetaro Hara. Fukuoka University Medical Journal. 1929; 22: 5. Old Japanese.
3. Tuberculosis and moxibustion. Shimetaro Hara. Jiechi Ika to Rinsho. 1929: 6: 9. Old Japanese.
4. Effects of moxa on subcutaneous histocyte cells. (1 & 2) Shinji Ota 1930. Nihon Biseibu-tsugaku Zasshi; 24: 4. Old Japanese.
5. Effects of moxibustion on splenic function of leucocytes and in gamma-irradiated mice under general and local anasthaesia.Chinese Publication of uncertain provenance – approx 1980.
6. Effects of Electronic Moxibustion on Immune Response 1. Watanabe S, Hakata H, Matsuo K, Hara H, Hara Shimetaro. Journal of Japan Society of Acupuncture and Moxibustion 1981;31(1): 42-50. Japanese.
7. Accuvaccination. Singh, B.K. Paper delivered to World Acupuncture Conference, Colombo 1982. http://www.bhupendratechniques.com/Research/Theories/Acuvaccination
8. Effects of Electronic Moxibustion on Immune Response 2. Watanabe S, Matsuo K, Hara H, Hirose K, Hara Shimetaro. Journal of Japan Society of Acupuncture and Moxibustion 1982;32(1): 20-26. Japanese.
9. Effect of moxibustion on the phagocytic activity in mice. Okozaki M, Furuya E, Kasahara T, Sakamoto K. . Journal of Japan Society of Acupuncture and Moxibustion 1982;32(2): 9-16. Japanese.
10. Effect of moxibustion on the phagocytic activity in mice. Okozaki M, Furuya E, Kasahara T, Sakamoto K. American Journal of Chinese Medicine 1983. Vol XI; No. 1-4: 112-122.
11. Effect of moxibustion on the cellular immunocompetence of gamma-irradiated mice. Hau D M, Wu J C, Chang Y H, Hwang J T. American Journal of Chinese Medicine. 1988; 3: 157-163.
12. An electron microscopic study of the acupuncture or moxibustion stimulated regional skin and lymph node in experimental animals. Kimura M, Mastrogiovanni F, Toda S, Kuroiwa K, Tohya K, Sugata R, Ohnishi M. American Journal of Chinese Medicine. 1988: 16(3-4): 159-167.
13. Changes of content of blood serum through moxibustion on acupoint equivalents. Sakamoto K, Kasahara T, Sakurai Y. Journal of Japanese Society of Acupuncture and Moxibustion. 1988; 38(3): 320-325. Japanese
14. Suppression of the DTH reaction in mice by means of moxibustion at electro-permeable points. Tohya et al. American Journal of Chinese Medicine 1989; 17(3-4):139-144.
15. A study on Radical Scavenging Effects of Moxa. Ohnishi M, Toda S, Sugata R, Tohya K, Kuroiwa K, Kimura M. Journal of Japanese Society of Acupuncture and Moxibustion. 1990; 40(4): 377-379. Japanese
16. Protective effect of moxibustion for mounbtain sickness Homma Y, Murai M. Journal of Japanese Society of Acupuncture and Moxibustion.1991; 41(3): 346-352.
17. Effect of moxibustion on the growth of primary tumor, pulmonary metastases and immune responses in mice bearing Lewis lung carcinoma (LLC). Utsunomiya Y. Bulletin of Meiji University Oriental Medicine. 1995; 16: 27-38. Japanese.
18. The immune system and acupuncture moxibustion. Amagai T, Itoi M. J Japan Society of Acupuncture and Moxibustion. 1996; 46(4): 315-25. Japanese.
19. Studies on anti-inflammatory and immune effects of moxibustion. Tang Z, Song X, Li J, Hou Z, Xu S. Chen Tzu Yen Chiu 1996;21(2):67-70. Chinese.
20. Immunohistochemical expressions of HSP and CGRP induced by moxibustion stimulation in the peripheral neurons of CH3/HENCrJ mice. Nakanishi H.; Chiba A, Chichibu S. Neuoroscience Research. 1997; 21(1): 79-79.
21. Influence of direct moxibustion with moxa cones the size of a grice grain on cell count and proportion of leucocytes in rabbit and human peripheral blood. Yamashita H, Tanno Y, Ichiman Y, Nishijo K, Takahashi M. Japanese Journal of Oriental Medicine. 1998; 48: 599-608. Japanese.
22. Effects of Moxibustion on the Enhancement of Serum Antibody in Rabbit against Staphylococcus aureus Yamashita H, Ichiman Y, Takahashi M, Nishijo K. American Jounral of Chinese Medicine 1998:26.1;29-37. (also Japanese Journal of Oriental Medicine. 1996; 47: 457-64. Japanese)
23. Appearance of peculiar vessels with immunohistological features of high endothelial venules in the dermis of moxibustion-stimulated rat skin. Tohya K, Urabe S, Igarashi J, Tomura T, Take A, Kimura M. American Journal of Chinese Medicine 2000; 28: 425-33.
24. Changes in peripheral lymphocyte subpopulations after direct moxibustion. Yamashita H, Ichiman Y, Tanno Y. American Journal of Chinese Medicine. 2001; 29 (2): 611-621.
25. Effects of moxa-cone moxibustion at Guanyuan on erythrocytic immunity and its regulative function in tumor-bearing mice. Wu P, Cao Y, Wu J. Journal of Traditional Chinese Medicine 2001 Mar; 21(1): 68-71.
26. Diverse biological activities of moxa extract and smoke. Hitosugi N, Ohno R, Hatsukari S et al. In Vivo. 2001 May-Jun; 15(3) 249-54. Japanese.
27. Present Research on Moxibustion. Aizawa S, Menjo Y, Tohya K, Nakanishi H, Toda S. Journal of Japanese Society of Acupuncture and Moxibustion. 2003; 53(5): 601-613. Japanese.
28. Effects of moxibustion at shenque (CV
on serum IL-12 level and NK cell activities in mice with transplanted tumor.Qiu X; Chen K; Tong L; Shu X; Lu X; Wen H; Deng C. Journal of Traditional Chinese Medicine. 2004 Mar; 24(1): 56-8. .
29. Effects of moxibustion at Zusanli (St36) on alteration of Natural Killer Cell activity in rats. Choi G S, Han J B, Park J H, Oh S D, Lee G S, Bae H S, Jung S K, Cho Y W, Ahn H J, Min B I. American Journal of Chinese Medicine. 2004 Mar; 32(1): 303-312.
30. The study of Standardisation Plan and Uselfulness of Moxa Combustion. Geon-mok L, Kil-soong L, Seung-hun L, Jong-duk C, Eun-mi S, Jung-sun C, Yang-jung K. Journal of Korean Acupuncture and Moxibustion Society 2003; 20(6):63-79. (reprinted in Journal of JSAM 2004; 54(4): 604-619.
31. Assesment of the Function of Peritoneal Macrophages in Rats treated with long term direct moxibustion. Matsuo t, Kasahar Y, Kuibayashi K Journal of the Society of Acupuncture and Moxibustion 2005;1:36-42.
32. Effect of moxibustion on the hemodynamics of cutaneous and sub-cutaneous tissue.- comparison between five-cone and seven-cone moxibustion. Tawa M, Kitakoji H, Sakai T, Yano T. Japan Journal of Acupuncture and Moxibustion 2005; 55 (4): 538-548. Japanese.
33. Literature Documentation of Basic Research on Immunological Effect by Acupuncture and/or Moxibustion Treatment Immunological Research Committee for Acupuncture and Moxibustion. Tohya K, Fukazawa Y, Kasahara Y, Okuda M, Tahara S, Kuribayashi K. Japan Journal of Acupuncture and Moxibustion 2006; 56 (5): 767-778. Japanese.
34. Do Japanese Style Acupuncture and Moxibustion Reduce Symptoms of the Common Cold? Kawakita, Shichidou et al (EBM working group, Research Department, the Japan Society of Acupuncture and Moxibustion (JSAM), 2007. http://ecam.oxfordjournals.org/cgi/content/full/nem055v1
35. Study on Moxibustion: Elucidation of Characteristics of Moxa. Ozaki A, Aizawa S, Toda S, Kumamoto K, Ebara S, Koike T. Journal of the Japan Society of Acupuncture and Moxibustion, 2008. 58 (1): 32-50. Japanese .
36. Direct Moxa and Immune Response – a Review Study. Part 1 Young M, Craig J. The European Journal of Oriental Medicine, 2009. 6 (3): 54-60.
37. Direct Moxa and Immune Response – a Review Study. Part 2 Young M, Craig J. The European Journal of Oriental Medicine, 2010. In print.


caro querido e afins
com este relambório todo talvez também é bom lembrar que o chá de artemisia é bom para as dores menstruais
beijo desta que te estima
Obrigado pela partilha e concordo absolutamente com o “movimento minimalista/simplista), um abraço*
Para mim é um projecto muito importante, mostra que com muito pouco se pode fazer muito. E outro factor que acho relevante é o facto de que o paciente e o agregado familiar participa no processo de cura. Os tratamentos mais tarde são ensinados aos familiares e o próprio também ospode fazer.
Muito bom, mas altera aí onde fala do virus, uma vez que é uma bactéria que resiste aos antibióticos.
Cuidado também que estas subidas de tuberculose resistente, costuma ter também em simultaneo o HIV, logo menos defesas.
Gosto do blog, mas é necessário o maior fundamento possível das coisas que são vistas mundialmente.
Muito obrigado pelo seu comentário Lilia,
Sim, vou alterar para bactéria
Este programa tem vindo a abranger todas as variantes sem excepção.
A abordagem da moxa japonesa é diferente da medicina alopática.
- fortalecer o organismo para lidar com o desequilíbrio – qualquer que ele seja em vez de lidar com o factor agressor.
Por exemplo?