Movimento minimalista #5 – Viajar com 21 Objectos.

Há três anos atrás fui a Londres com o intuito de treinar com o Mestre Lam durante um fim de semana. Habitualmente viajo com uma mochila de cabine e uma mala que vai no porão do avião. Hoje não me lembro com precisão o que a mala do porão continha mas a mala que usava na altura de 70 litros ia totalmente cheia.

Desde roupa para o frio, uma muda extra de calças onde ia embrulhado uma garrafa de brandy para o Mestre Lam, t-shirts, pijama, uma muda de sapatos, produtos de higiene, várias t-shirts e t-shirts para por por debaixo das t-shirts, alguns livros que nao cabiam na mochila de cabine, comida…. lembro-me que estava bem pesada.

Na mochila de cabine levava além de comida para a viagem, vário livros, bloco de notas, diário e apontamentos, um leitor de MP3 e documentos.

Quando cheguei a Londres na sexta de manhã a minha mala com tudo o que eu tinha para o fim de semana tinha ficado em Lisboa.

Quem já passou por esta situação sabe que não há muito a fazer, a mala vem num dos próximos vôos e tem que se ter paciência.

Para encurtar a história refiro que só no sábado à noite a mala chegou ao aeroporto e que por eu sair nesse domingo após o almoço decidi que recuperava a mala quando voltasse a embarcar.

Nesse fim de semana precisei de comprar apenas para sobreviver.

  • Uma escova de dentes
  • Um desodorizante – os treinos com o Mestre Lam podem criar uma sensação muito próxima de sauna.
  • Aveia para cozinhar e maças [biológicas] para o pequeno almoço almoçamos e jantamos sempre fora, tinha comida suficiente na mochila de bordo para sexta à tarde e um jantar leve à noite.
  • meias e roupa interior barata.

emprestaram-me:

  • uma t-shirt para treinar – afinal não se transpirou assim tanto
  • meias grossas – No espaço do Mestre Lam treina-se de meias
  • gel duche e pasta de dentes.

As calças que levei vestidas eram suficientemente largas para treinar.

Quando regressei ao Aeroporto peguei na mala de porão e só voltei a abri-la em casa.

A lição que aprendi foi que se pode simplificar muito em termos de quantidade de bagagem.

Embora reconheço que não foi uma das minhas melhores visitas a Londres, reconheci também que na maior parte das vezes se carrega peso desnecessário nas viagens, às vezes com o pretexto muito humano de que “pode ser preciso” ou “no caso de fazer falta”.

Desde então quando viajo tenho tentado fazer uma escolha consciente daquilo que levo comigo. Eliminado tudo aquilo que levo “porque poderá fazer falta” mas levar apenas aquilo que “realmente faz falta e que é importante”.

Nesta última viagem decidi subir a fasquia e levar apenas 21 objectos comigo.

Porquê 21?

Cheguei à conclusão que 15 era muito pouco para 5 dias [por enquanto] e que 25 era demasiado e 21 por qualquer razão parece bem.

Criei algumas regras à partida:

  1. Roupa interior e meias contam como uma peça cada uma.
  2. Tenho uma bolsa para os produtos de higiene pequena sensivelmente uma A5 por 3 dedos de altura desde que sejam produtos de higiene e que caibam lá dentro também contam apenas como uma.
  3. Os carregadores do computador, protecção do computador tipo iSkin e telefone não são contados.
  4. O meu estojo com canetas, lápis e borracha contam apenas como uma elemento.
  5. A roupa que levo no corpo não conta.
  6. Os presentes que levo de Portugal também não contam.
  7. Comida levo também fica de fora da contagem – poderia compra-la também aqui, mas poupa-se mesmo muito em levar algumas coisas de casa – por pouco que seja.

Lista para 5 dias em Amsterdão

  1. T-shirt cinzenta
  2. T-shirt cinzenta
  3. T-shirt cinzenta – a mesma cor é para simplificar a escolha de manhã
  4. T-shirt verde
  5. Meias
  6. Roupa interior
  7. Sapatos de treino
  8. Calças de treino
  9. Chinelos de banho
  10. Bolsa com produtos de higiene
  11. Pijama
  12. Sweat laranja
  13. Computador
  14. Livro de acupunctura Japonesa – escolher o livro a levar… é quase como a pergunta se fosse o fim do mundo que livro escolhia salvar
  15. Diário que tem servido também para livro de apontamentos
  16. Estojo com lápis, caneta e borracha
  17. Agenda – onde também guardo os documentos e cartões.
  18. Suplementos – os dias de treino nem sempre correspondem a tempo e espaço para uma alimentação equilibrada, óleo de fígado de bacalhau e um multivitamínico para vegetarianos. Quatro comprimidos de cada num frasco. Ainda no mesmo frasco ervas chinesas para as constipações derivadas ao vento frio que se faz sentir aqui.
  19. Telefone
  20. Cachecol
  21. Caixa pequena com o essencial para fazer um tratamento de acupunctura – inclui isqueiro.

Não foram incluídos 3 pães de arroz, 5 sopas de miso instantâneas, 4 pacotes individuais de bolachas de aveia e sal, uma maçã, um pacote de flocos de aveia para o pequeno almoço de 500g, três garrafas de azeite e uma manta de lã portuguesa para oferecer.

E pareceu-me bem. A mala nunca foi tão leve o que faz diferença a subir escadas ou descer por exemplo.

Estou a pensar utilizar este princípio também na mochila que carrego todos os dias. Mas ainda não cheguei à conclusão do número de objectos ideal mas rondará os 5 ou 7 – Aceitam-se sugestões e partilha de experiências.
Conto aperfeiçoar mais ainda e reduzir para 15 objectos – nomeadamente reduzindo o que levo na bolsa de higiene pessoal, não levando o computador ou deixando o telemóvel em casa.

Esta ideia de viajar com poucos objectos foi uma vez levada ao extremo por um amigo meu que fez a viagem Holanda-Brasil só com a roupa do corpo e um cartão de crédito. Uma vez no Brasil foi adquirindo aquilo que ia precisando limitando-se a comprar apenas aquilo que era necessário.
Na pintura chinesa um dos criterios de avaliação é como o artista deixa espaço vazio na pintura. Este conceito aplica-se para mim e situações em que existe espaço e entre a possibilidade de o utilizar na sua totalidade escolhemos deixar este espaço livre e em potencial de forma consciente.
A limitação cria assim mais possibilidades pois foca e remete-nos ao que é essencial.


4 Responses to Movimento minimalista #5 – Viajar com 21 Objectos.
  1. Teresa Azevedo Pereira
    May 28, 2010 | 10:39

    Querido primo
    Mais 1 dos teus sábios conselhos brindado com o teu peculiar humor. A primeira vez que saímos com o gémeos (e foi só para passar uma tarde), enchemos o porta bagagens do carro:). Quando voltámos, a primeira coisa que fiz foi uma lista ou melhor 3; para 1 dia; para 1 fim-de-semana e para 1 semana. continuamos a ter uma mala muito pesada mas conseguimos equilibarar as coisas.
    Connosco já conseguimos passar 4 dias com um troley de cabine cada um!!MAs de facto, nunca pensámos numa lista de coisas. excelente ideia.

  2. Marta K.
    May 28, 2010 | 16:01

    Mesmo a propósito, acabei de receber um email da minha mãe: volta para Portugal no domingo, e veio me pedir que a vá ajudar a carregar as malas…!

  3. Jorge
    June 22, 2010 | 11:05

    Uma ideia simples, porém útil (para mim): antes de viajar fazer uma lista com os principais utensilios que deixo em casa … da ultima caminhada, o peso da minha mochila era tal que eu andava aos sss, com falta de ar e sempre atrasado … já para não falar nas viajens adicionais de camioneta e taxi … mal compreendidas pelos companheiros de caminhada!

    Creio que encher a mochila/mala corresponde a um medo de mudar de hábitos, rotinas … sábio é aquele que viajou com a roupa do corpo e um cartão crédito!

    Jorge

  4. devagar
    June 27, 2010 | 23:06

    A regra é simples – Na mochila a carga não deve exceder 10% do nosso peso. O meu amigo que viajou só com a roupa e o cartão de crédito foi preso na altura para averiguações pela polícia do aeroporto. :)

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