As mudanças de estação especialmente o Outono e a Primavera são altamente propícias a limpezas. Isto que é uma forma simpática de dizer que são uma oportunidade excelente para cada um se livrar das inutilidades que povoam a sua vida e começar um ciclo novo.
O que são inutilidades?
- Objectos que perderam a sua utilidade – telefones móveis funcionais mas que já não se usam, roupa e sapatos que não vão voltar a ser usados, objectos que foram substituídos por outros mais recentes e aos quais não foi feito um funeral digno – ou seja deita-los fora, vende-los ou doa-los.
- Objectos fora da validade - Revistas, guias de viagens, mapas, suplementos, medicamentos, cd’s de programas de computador e sistemas operativos desactualizados.
- Objectos avariados - Computadores, calculadoras, relógios, telefones móveis, electrodomésticos que vão ser arranjados um dia… que nunca mais chega.
- Objectos inúteis - A próxima vez que sejam convidados para uma festa de natal em que o limite máximo da prenda é cinco euros sugiram cinco euros cinco a cada participante e doar a algum lado. Evitam levar alguma coisa para casa na maioria das vezes inútil e de sobrecarregar alguém com algo que não lhe vai servir para nada. As lembranças de viagens são ainda piores e atingem proporções mais assustadoras.
Tudo isto seria fácil se não existissem arrecadações, despensas, sotãos, segundas casas ou casas de férias onde as inutilidades podem ter uma existência eterna. E por favor, não morram antes de eliminar as vossas próprias inutilidades armazenadas, porque a próxima geração vai ficar agarrado eternamente ao chapéu laranja com luzes que comprou numa noite em Amesterdão depois de sair de uma coffe shop – mesmo 50 anos depois de ter falecido.
Hoje existem cada vez mais formas de reciclar e de dar um fim às inutilidades que povoam a vida de cada um.
Respire fundo, coloque o sentimentalismo de lado e escolha que tipo e fim quer dar ao que já não serve para nada – apenas para ocupar espaço e ganhar pó.
- Revistas – dependendo do género podem ser doadas ou vendidas.
- As revistas de automóveis – Stands, oficinas, cabeleireiros masculinos.
- Revistas de viagens – Consultórios, agências de viagens, centros de dia ou lares.
- Revistas temáticas tipo National Geographic – Bibliotecas de escolas ou públicas – Mito: os seus filhos especialmente se ainda não nasceram não vão querer estas revistas, não lhes vão servir para nada, nem para a escola, nem para trabalhos de casa. Provavelmente vai haver um chip com todas as edições que pode ser implantado na altura que ele precisar
- Revistas cor de rosa – recicle, queime ou entregue num cabeleireiro feminino.
- Revistas temáticas de actividades como caça, pesca, modelismo, animais, religiosas etc. encaminhe-as para clubes ou locais onde são contextuais.
- Outras revistas e Jornais – Use a imaginação ou na falta dela recicle.
- Livros – Dê a quem acha que necessite ou direccione quer para as bibliotecas escolares, municipais ou das juntas de freguesia.
- Roupa – Os hospitais e centros de dia estão cheios de necessidades a este nível. Há tanta roupa boa que não usa, que é guardada e que servem de pasto para as traças e que poderiam estar a beneficiar alguém.
- Material electrónico – Descobri à pouco o tempo a empresa ERP que tem uma rede de recolha com recipientes tipo vidrão. Ai podem colocar tudo o que é material electrónico usado, computadores, impressoras, centrais telefónicas, telefones móveis, periféricos, monitores… Visitem o site com os pontos de recolha em http://www.erp-portugal.pt/index.php?content=10
- Coisas que são úteis ou que pelo menos têm um efeito decorativo mas que estão descontextualizadas onde estão no momento. As prendas da loja dos trezentos, os cd’s de música e as cassetes de línguas das selecções do Reader’s Digest, as prendas das festas de natal das empresas, brinquedos antigos, objectos úteis mas repetidos. Toda a gente conhece alguém que vive fora de Lisboa e que no local onde habita existe a festa anual ao padroeiro da povoação. Este é o local ideal para depositar tudo aquilo que não sabe o que fazer que na maior parte das vezes encontram alguém com engenho e arte que lhe poderá dar uso – As quermesses agradecem. Não valem objectos estragados.
No Movimento Minimalista #7 pode ainda encontrar também algumas fontes de inspiração em situações mais concretas no que diz respeito a reciclagem.
No passado era comum estas limpezas sazonais, curiosamente as pessoas que o faziam tinham muito menos do que aquilo que nós temos agora. Hoje em dia pensa-se em razões esotéricas e relacionadas com o Feng-Shui ou uma outra qualquer teoria emprestada. No entanto, as razões pela qual os nosso antepassados o faziam eram e são universais:
- Simplificação do espaço
- Limitar-se ao essencial e ao útil
- Viver uma vida simples
- Criação novas possibilidades
Feliz entrada no Outono.
