“There is no such thing as a little freedom. Either you are all free, or you are not free.”
Walter Cronkite.
O dicionário define liberdade como a capacidade ou o direito de agir, falar, pensar sem obstruções ou limites.
É altura de colocar uma pergunta simples
Sente-se uma pessoa livre?
Descobri que é fácil responsabilizar alguém ou algo nesta resposta. Especialmente se a resposta é não.
Um dos grandes avanços na literatura médica da Medicina Tradicional Chinesa ocorreu quando se compilou uma série de textos que deram origem a um dos livros essenciais desta arte – O livro do Imperador Amarelo. Este livro além da informação médica preciosa que possui coloca a responsabilidade naquele que adoece e não nos factores externos. Ou seja, é bastante fácil responsabilizar alguém por uma gripe que “apanhamos” em vez de reconhecer que por alguma razão o nosso sistema imunitário não está à altura do desafio e deveria ser fortalecido. – Isto alguns anos depois de Cristo ter nascido.
Livros como estes moldaram o pensamento tradicional oriental no que diz respeitos a perguntas tão simples como a pergunta acima.
Homens como Nelson Mandela, Gandhi, Martin Luther King, Joana D’Arc ou outras personagens históricas, mostraram que a sua liberdade foi sempre mais importante que aquilo que os cercava. E mesmo alguns morrendo no processo morreram Homens livres, porque essa liberdade não pode ser tomada por ninguém.
E nos lugares mais inóspitos, em condições adversas podemos encontrar hoje e agora homens e mulheres livres.
O segredo – cultivam a sua liberdade interior.
Crie também a sua e comece por fora: [porque até Buda teve de deixar o palácio para encontrar a dele]
1. Crie liberdade financeira – esta liberdade não se refere a ter o dinheiro que se quer para gastar, mas sim ter aquele que é necessário. Significa também estar livre de dívidas e empréstimos – o mais possível. Estar livre financeiramente permite-lhe que consiga viver com muito pouco.
- Reduza os cartões de créditos a apenas um ou elimine-os totalmente. Se quer manter este apetrecho configure o pagamento para 100% no final de cada mês.
- Crie um fundo antes de começar a pagar dívidas. Acumule uma quantia para emergências, uma viagem, um gasto inesperado – Entre 500 a 1000 euros. Mantenha este valor virgem com unhas e dentes e com o excedente pague o que deve. Este fundo evita que cada vez que surja algo inesperado tenha de recorrer ao cartão de crédito. É uma forma lenta e gradual mas segura.
- O princípio da liberdade financeira assenta num consumo consciente como forma preventiva para gastos e dívidas desnecessárias
2. Crie liberdade de tempo – O tempo é dos bens mais preciosos. Os taoístas referem que temos oito horas para trabalhar, oito para descansar e oito para nos divertirmos. Ter tempo não significa fazer algo para que esse tempo surja – comprar um qualquer aparelho que nos vai tornar a vida mais simples e ganhar mais tempo com isso – como é prometido muitas vezes pela publicidade. Ter tempo significa ter tempo [ponto]. Esse tempo pode ser utilizado então para fazer aquilo que nos dá prazer.
- Aprenda a desconectar-se do mundo e a ganhar tempo com isso.
- Cultive o hábito de chegar cedo para sair cedo se tem um horário flexível - Estudos começam a revelar que os workaholics na sua maioria não são pessoas eficientes – são ineficientes e preguiçosos – Chegam tarde, fazem muitas pausas e não conseguem manter o foco. Por isso parecem que trabalham muito mas pelo contrário.
- Reconheça que criar tempo não depende de nada exterior a si depende apenas da forma como o organiza e como investe a sua energia vital.
- E quando pergunta – como estás? e alguém responde – “é mais um dia” – afirme ”não, não é mais um dia, é menos um dia”
3. Cultive a liberdade de dizer não – Embora aparentemente e a curto prazo dizer sim seja tomado como um acto simpático e que faz de nós melhores pessoas. A curto prazo torna quem diz sempre sim uma pessoa ineficiente, esgotada e sem tempo para si. A curto prazo dizer não pode criar sentimentos contraditórios, pode criar a sensação que estamos a ser egoístas e sem coração. No entanto significa na maior parte das vezes insegurança de quem diz sim com receio que a partir de um não surja uma atitude de rejeição, conflito ou um movimento de perca de oportunidades.
- Aprenda a delegar – “Eu não posso mas existe alguém que pode” – Não é insubstituível. Não é insubstituível [sim, escrevi duas vezes].
- Estabeleça prioridades – Mais um sim pode ser a gota que transborda o copo.
- Preserve a sua competência e energia – Dizer que sim a tudo não só drena a sua energia e o afasta daquilo que é importante para si na vida – porque o que faz é para outros e não para si, como também a longo prazo o torna incompetente e incapaz de profundar aquilo que está a fazer – tal poderá ser o emaranhado de tarefas que se comprometeu.
4. Crie liberdade de espaço – Tenha o seu próprio espaço, a terra onde pode seguramente por os pés, respirar fundo e sorrir. Este espaço pode ser a almofada onde coloca a cabeça à noite ou o local onde penduramos o chapéu, ou um local na paisagem física ou imaginária. Pode ser um local na casa onde vive ou o canto do sofá ou cadeira de um café simpático. É importante ter um local que pode chamar seu e que possa entrar mais facilmente em contacto consigo. Estes locais são importantes. São lugares de poder onde se pode recuperar e ser nutrir. Muitas vezes não têm nada a ver com espaço físico e os melhores são mesmo aqueles que podem ser transportados para qualquer lado. Use esse espaço para
- Desconectar
- Recuperar energías
- Ler, escrever
- Meditar
- Exercitar-se
- Ser
Estes espaços não são pagos, mas se precisa de pagar um ginásio, estar incluído em algum grupo ou comunidade e se ai encontra o seu espaço é também válido, no entanto – regra: um espaço só é o seu espaço se permitir verdadeiramente o encontro consigo mesmo.
Continua…

Como sempre um artigo excelente, sucinto e esclarecedor.
Já à algum tempo que tento explicar a relação que tenho com o tempo. Surgem então expressões como “para ter mais tempo dou-me mais tempo”, “se estou com falta de tempo abrando ou páro tudo e ele surge”, “crio espaços sagrados onde coloco um tempo mínimo intocável para algo: 6h a 7h para dormir, 1h para cada refeição, 15 minutos para conversar com um amigo num café, 20 minutos para não fazer nada, 1h para qualquer coisa, etc.”
Tendencialmente, as pessoas mais activas e produtivas que conheço são aqueles que se relacionam com o tempo de tal forma que conseguem encontram sempre um espaço para partilhar e simplesmente estar. Em vez de esticar a corda até ao colapso nervoso, o acidente que parte a perna, as lamurias para levantar da cama, ou horas intermináveis em redes sociais.
Um indicador que me tem sido útil ao longo dos anos são as lamurias e os espaços sagrados. Quando umas aumentam ou os outros diminuem, páro tudo e mudo o necessário.
Obrigado pela partilha Vasco. É também bastante inspirador o que dizes. A bola está sempre do nosso lado. Mas às vezes não a vemos ou queremos também a bola do vizinho. Mas a nossa é que é e está sempre ali ao nosso alcance.