Em Outubro de 1996 conheci um romeno do qual já não me lembro do nome mas que lhe estou muito agradecido.
Este post é para ele.
Na altura fazia análise de sistemas mas no fundo no fundo eu sabia que não era o que eu queria.
A mudança não tinha acontecido e eu estava a adiar esse processo.
Não vale a pena referir as desculpas, estou certo que a resistência à mudança e as desculpas são universais.
Nesse mês estava a dar apoio a um vendedor numa zona perto de Setúbal quando um dos empregados da fábrica entrou no escritório e perguntou quem sabia inglês. Estava um sujeito estranho no parque de estacionamento da empresa e só falava inglês.
Acompanhei o empregado e no parque de estacionamento estava um homem magro e duas mulheres. Ambos tinham bicicletas.
Estavam a pedir permissão para acampar num descampado perto da fábrica.
Depois de ter sido feita a tradução e da permissão concedida esta era a história deste grupo.
- Estavam a pedalar à dois meses desde a Roménia.
- Fugiam ao estado de crise que se vivia na altura neste pais
- Na Roménia a sua profissão era cabeleireiro e uma das mulheres era a esposa e a outra uma amiga
Tinham um plano:
- Apanhar um avião para a Venezela a partir de Lisboa
- Atravessar o México de bicicleta
- Passar a fronteira dos EUA a salto no dia de natal – parece que estão mais distraídos nesse dia
- Rumar em direção ao Canadá
- Estabelecerem-se lá como emigrantes
- Mais tarde trazer os filhos e os pais que ficaram na Roménia
Acho que nunca saberei se chegaram ou se o plano foi bem sucedido.
No entanto, este encontro foi de tal ordem para mim que um mês depois estava a pedir demissão.
Quando o cérebro do lagarto fala mais alto em si e o impede de criar e de fazer da vida uma arte cheia de possibilidades pense nesta história ou procure uma biografia inspiradora.
Escreva as qualidades que admira das pessoas que fizeram a diferença – os psicólogos dizem que se gostamos de uma qualidade em alguém quer dizer que essa qualidade também estão em nós, assim como o poder de ser excecional.