Um das queixas do actor Hugh Laurie que participa na Série Dr. House foi o aparecimento de problemas numa das pernas. Por utilizar constantemente a muleta para desempenhar o personagem, essa perna começou a adquirir problemas típicos de quem utiliza uma muleta numa base regular.
As muletas são instrumentos extremamente importantes porque permitem mobilidade e apoio para tornar o movimento possível.
O termo muleta refere-se também a algo que pode servir de apoio em alguma situação no dia a dia. Dá-nos uma capacidades que não possuímos ou que pode estar menos afinada.
Uma apresentação de Powerpoint pode ser uma muleta e um apoio para quem tem dificuldade em falar no vazio.
Um cartaz com pontos de acupunctura ou termos anatómicos pode ser uma muleta para o terapeuta que assim pode consultar os pontos com mais facilidade.
Um empréstimo pode ser a muleta para alguma altura de vida que é necessário mais liquidez.
Um Psicoterapeuta pode ser uma muleta importante durante um período da vida mais conturbado.
No entanto existem muletas que tendem a se tornarem permanentes.
- GPS
- Dispositivos de auxilio ao estacionamento do automóvel
- Mudanças automáticas nos automóveis
- Correctores de erros nos processadores de texto
- Comprimidos para dormir, acordar, ficar alegre, desempenho sexual, para emagrecer….
- Máquinas de calcular
- Passadeiras rolantes e escadas rolantes
- Suplementos vitamínicos e comida em pó
- Máquinas avançadas para fazer exercício físico
- Ar condicionado
…
Todas estas muletas acima são invenções fantásticas que podem em algum momento ser extremamente úteis.
No entanto, o seu uso excessivo afasta o utilizador do seu potencial real e das possibilidades que que já vêm “de série” com o ser humano quando ele nasce.
- Capacidade de orientação
- Capacidade de coordenação
- Capacidade de viver em ambientes hostis de frio ou de calor extremos
- Capacidade de cálculo e memória
- Capacidade de andar, correr, deslocar-se e conquistar terreno
- Capacidade de ter uma vida saudável sem aditivos
O uso destas muletas pelo tempo além do desejável e sem razão aparente, afastam quem as utiliza de si mesmo.
Torna-se assim mais fácil:
- Tomar um comprimido que fazer alterações e procurar razões mais profundas
- Tomar vitaminas que questionar-se sobre a qualidade dos alimentos que ingere
- Ligar o ar condicionado que pensar em questões ambientais
- Utilizar o telefone para fazer a divisão de um jantar por quatro pessoas que utilizar as capacidades inatas de cálculo
- Confiar numa máquina que nos indica a direção correta que explorar o terreno, partir à aventura e descobrir novas possibilidades.
No fim da linha está a intimidade. Com as muletas cada vez conhecemos menos o nosso potencial real e aquilo que conseguimos fazer sem todos esses adereços.
Pense nas suas muletas actuais, pense uma a uma quando foi a primeira vez que as usou.
Pense no contexto actual – hoje, se ainda fazem sentido.
Abandone por si aquelas que consegue – gentilmente.
Peça – se precisar, ajuda para largar as mais persistentes.