Por afinidades familiares conheci uma senhora inglesa que vou chamar Susan. A Susan teve um AVC em Novembro, mas teve a sorte de ter alguém ao lado dela que a levou de imediato ao hospital.
Do incidente não resultaram quaisquer sequelas.
O seu trabalho é com pessoas carenciadas e é uma das pessoas mais envolvidas neste processo numa associação que faz parte em Londres.
Ontem em conversa com ela ouvia deliciado a sua decisão de deixar o trabalho, não porque queria deixar o trabalho mas porque queria explorar a vida e fazer o que tinha planeado há uns anos atrás.
Acabar as obras da casa de campo que comprou mas que nunca teve tempo de fazer mesmo passados muitos anos.
Cumprir promessas feitas enquanto namorava com o actual marido, de viagens e planos que ficaram no reino do “um dia quando tiver tempo” e afogados nos afazeres do dia a dia.
E no fim disse-me “Este AVC foi uma sorte”.
A intimidade com a vida, pessoas e objectos que possuímos passa por escolhas umas vezes forçadas – acidentes, imprevistos, e outras mais conscientes de largar o que está em excesso para se poder usufruir do que já temos.
Criar espaço = Criar possibilidades
Não é a quantidade daquilo que temos, que compramos ou que planeamos adquirir que vai trazer mais conhecimento ou mais felicidade.
Mas sim a forma como fazemos uso dos nossos recursos actuais que pode fazer a diferença e criar uma ligação intima com a vida.
Obrigado Susan.