Sofre do sindroma de Diderot?

Conta-se que ofereceram um novo robe ao escritor Diderot. Depois de se sentar à secretária concluiu que esta parecia velha comparativamente com o seu novo adereço e comprou uma nova. Pouco depois percebeu que a carpete não combinava com a secretária e também a substituiu, seguiu-se os cortinados e todo o mobiliário da sala.

Diderot ficou ligado a este tipo de movimento que visa procurar a consistência entre aquilo que já se possui adquirindo para isso mais posses.

A economia do consumismo é baseada neste princípio.

Ao comprar um tablet existem dezenas de acessórios.

Um smartphone tem centenas de aplicações – muitas delas pagas

Quando se compra um leitor de livros como o Kindle ou Nook não é o valor que ele tem – que é baixo – É os livros que se compram para não ficar vazio – e claro, a bolsa de proteção.

As consolas de jogos também.

Um amigo meu à pouco tempo expressava de uma forma bastante clara esta questão com a frase “Comprei este leitor de MP3 fantástico ontem e ainda não consegui ouvir música nele”

Conheço muito poucos objectos hoje que não partilhem desta filosofia.

Até um simples par de sapatos pode mudar o guarda roupa inteiro.

Na iminência de comprar algo que é o último grito da tecnologia

Faça como um jogador de xadrez e antecipe os movimentos seguintes, pondere o impacto que um novo objecto no seu eco-sistema pode ter.

Que objetos vão ser extintos com a presença dessa nova aquisição? Quando compra um telefone para substituir outro ofereça o que vai ser substituído, ou deite-o fora caso já não funcione.

Que outros objetos vão ser necessários para que este objecto possa sobreviver? Capas, seguros, cabos, pilhas, planos…. – Vale mesmo a pena?

Seja específico e compre objetos com uma função específica. Quer uma máquina de jogos compre uma consola, quer um telefone compre um telefone, quer um computador compre um computador, evite o 30 em 1 pois vai entrar de certo no síndroma de Diderot a adquirir aplicações para todas as funções que o aparelho diz que faz.

Faça compras com esta consciência e vai reduzir significativamente o numero de objetos que possui.

Na altura do ano 2000 e aproveitando a preocupação mundial com a mudança de milénio a comunidade Amish conhecida pelo seu tipo de vida simples abriu uma loja de objetos que funcionavam garantidamente para além do ano 2000.

Brinquedos de madeira, batedeiras manuais, ardósias, sabão azul e branco, tanques de roupa… tudo quilo que encontramos numa mercearia dos anos 60. E estes são talvez objetos também à prova do síndroma de Diderot.

Faça por curiosidade um mapa daquilo que adquiriu à volta do computador, telefone ou um outro qualquer aparelho e surpreenda-se.

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