Conheço muito pouca gente que não tem um local onde guarda aquilo que não usa no dia a dia.
Esse local é um local que acumula anos de objectos e memórias às vezes de gerações.
Esses locais são
• Arrecadações
• Casa dos pais
• Garagens
• Casa de amigos
• Espaços que se alugam
• Casa de ferias
• Pastas no disco do computador
• Discos rígidos de 2 Terabytes
• Caixotes
…
Esses locais são como o subconsciente.
Encontramos lá de tudo
• Pessoas que já desapareceram
• Antigos namorados/as
• Verões
• Viagens
• Amigos que dificilmente vamos ver de novo
• Desconhecidos dos quais não nos lembramos o nome
• Os anos todos da primária, ciclo e secundária
• Objectos que nos ligam a muitas histórias que provavelmente somos os únicos que nos lembramos.
• Cassetes e discos que não tocam
• Objectos que já não funcionam
• Objectos que já não usamos – se já não joga ténis de mesa porque é que teima em guardar a raquete?
…
Limpar a casa de uma forma regular é desejável por razões óbvias.
Mas até onde queremos ir?
Ficar à superfície como as conversas de café ou entrar em psicoterapia profunda e libertadora?
Limpar à superfície ou limpar em profundidade?
Manter a aparência ou olhar através dela?
Este Verão dedique algum tempo a estas limpezas mais profundas.
E a pergunta mágica perante o bilhete de cinema onde demos o primeiro beijo, os emails que trocamos com alguém durante um período da nossa vida ou os postais de uma viagem comidos pelo tempo é:
O que é que isto tem a ver comigo e com a minha realidade hoje?
Obrigada Lourenço por esta sua reflexão sobre “limpar a fundo “. É claro que é preciso algum desprendimento para limpar a fundo a nossa casa e libertá-la do velho, para dar lugar ao novo….lendo a sua reflexão, concluo que ainda me falta percorrer um longo caminho….
Ainda continuo comprando caixas para guardar os tais bilhetes de cinema, as tais cartas de Amor de uma realidade de há mais de 40 anos. O que tem a ver com a minha realidade de hoje??? Nada.Obrigada por me despertar….
A mim esta pergunta ajuda muito. Às vezes tenho de faze-la várias vezes durante o ano ao mesmo objecto… ou colocar os objectos em caixas e depois deita-las fora se não em lembro o que lá está.
A questão é que não se sente a falta dos bilhetes quando eles não estão. Não vamos no meio da rua e lembramos-nos dos bilhetes da primeira vez que fomos ao cinema… a questão é quando olhamos para eles ai, é que sentimos falta deles.
Boas limpezas