Quem organiza workshops debate-se frequentemente com a justificação de que não existe dinheiro da parte dos participantes.
Numa altura de crise é natural que esta continue a ser uma justificação bastante utilizada.
Aquilo que na maior parte das vezes significa é o seguinte:
- O organizador não tem nada que querer saber porque é que a pessoa não vai. Está a entrar em privacidade alheia
- A resposta mais fácil é essa
- É uma resposta “intocável” e segura
No entanto
- É uma resposta invasiva
- Denota falta de capacidade de reflexão
- Demonstra que existem outras prioridades que muitas vezes são difíceis de admitir.
É importante para quem organiza saber as razões REAIS porque é que não existe interesse.
- Por uma questão de honestidade
- Para quem organiza poder reformular o produto às necessidades do mercado
- Para quem se desculpa poder criar sentido crítico
- Embora não participe ter um papel importante e ativo no crescimento de quem organiza
Se houver constantemente a desculpa de que não existe dinheiro é essa a ideia que fica.
Mas que afinal o que existe são produtos
- Muito pouco motivadores para o utilizador – iguais a tantos outros. Quando se reconhece o valor de um workshop as pessoas que querem faze-lo negoceiam, falam com o organizador, procuram soluções conjuntas.
- Participantes ou que não sabem o que querem ou que preferem a resposta simples - Uma resposta que permita uma reflexão conjunta é preferível e pode beneficiar ambas as partes. – Mas é preciso que quem organiza queira saber.
Cabe ao organizador – Inovar, dedicar-se a fundo ao que quer promover e escutar o mercado.
Cabe ao participante - Se não vai e quando questionado, dizer porquê e ajudar o organizador a criar um produto melhor.
Na “revoada” de workshops que começaram no inicio de Setembro até Junho e em vez de responder – “não tenho dinheiro”, ou clicar apenas numa das opções – I’m Attending, No, Maybe.
Responda porquê a quem lhe envia o convite.
Já agora faça um exercício:
Da próxima vez. Quando pensar que não tem dinheiro para um evento ou para uma mensalidade – aponte as suas despesas nesse mês.
Nem toda a gente chega a essa conclusão, mas muitos poderão observar que dois jantares e dois cimemas pagavam quase o seminário ou mensalidade de uma atividade.
Mais uma vez – é uma questão de prioridades do participante e necessidade de melhoramento da parte de quem organiza.
Ambos têm de comunicar melhor.
Sou terapeuta, crio e organizo workshops… frequento seminários e workshops de outros terapeutas, e este POST fez-me reflectir! Grato pelas suas reflexões e partilhas. Parabéns por este seu projecto!
Obrigado José. É um tema que me tenho dedicado também a refletir. Penso que passou o tempo de fazer um flyer e enviar emails e já está. A organização de workshops está a atravessar novos paradigmas que obedecem a regras de mercado. Não a todas, mas existem algumas que são importantes tomar nota. Como se o que apresentamos é contextual, se é repetitivo e mais importante se existem pessoas interessadas no que ensinamos. Entender isso requer trabalho e estudo, reflexão e escuta de quem organiza. Isso coloca quem organiza noutro nível. Num nível de compromisso sério com aquilo que faz – e isso por si só já é uma mais valia. E pode ser complicado porque muitas pessoas poderão não sobreviver [se não e adaptarem e aprenderem a criar novas possibilidades ] a estes novos paradigmas mas por um lado separa grandemente as águas. Mais uma vez obrigado pelas suas palavras.