Na escola de Medicina Tradicional Chinesa onde estudei diz-se que o primeiro ano é o ano da descoberta e o segundo a travessia do deserto. E é um dos anos onde mais gente abandona o curso. Às vezes para voltar mais tarde outras vezes não.
Nas viagens de A para B a aridez vai surgir mais cedo ou mais tarde.
E se queremos chegar a B o deserto deve ser atravessado.
Entende-se por deserto um desafio. Sem esse desafio ultrapassado a viagem acaba ai.
Existem cinco aspetos que considero importantes nesta travessia necessária.
- A Fé. A fé cria flexibilidade independentemente da religião ou crença. Quando existe uma visão global seja dos ensinamentos de alguém iluminado ou seja pela observação da natureza entende-se que tudo é relativo e impermanente. Este tipo de perceção ajuda a criar otimismo e flexibilidade onde quer que estejamos. Independentemente do terreno que atravessemos.
- A Saúde. A forma com tratamos o nosso corpo é determinante. Se o tratarmos bem ele vai servir-nos bem. Em alturas críticas é importante cuidar que o básico está assegurado. Fatores que na minha experiência clínica influenciam a saúde são o Sono, a Alimentação, a Atividade Física e Sentir-se Amado.
- O Sonho, ikigai é a palavra japonesa que pode ser traduzida de forma livre como “razão de ser”. Este é um dos fatores que está presente na população Japonesa de Okinawa que têm um maior número de centenários Acredita-se no Japão que todos temos o nosso ikegai e que o nosso objectivo de vida é encontra-lo e cultiva-lo. Isso faz a diferença entre alguém que tem 80 anos e um propósito de vida presente e quem não tem. Assim como quem decide atravessar o deserto e quem adia esta travessia. O sonho é o que nos motiva a continuar independentemente das” condições climatéricas”
- A Família e amigos, podem ajudar na travessia muitas vezes mais que pensamos ser possível. Algumas vezes esta viagem é feita a dois e ai deve haver confiança e apoio mútuo para que o deserto possa ser vencido.
- Bibliografias, o mundo está cheio de pessoas como nós que já chegamos pelo menos uma vez às portas de algum período árido que tem de ser vencido. Essas histórias podem ser encontradas em livros ou filmes. O último filme que vi sobre o tema – porque é um caso real inspirou-me grandemente.
Quando tudo hoje tem tendência a ser esterilizado, controlado e calibrado os desertos nem sempre são cenários simpáticos.
Tudo depende se queremos ter um percurso de plástico, artificial e comum, se um percurso que tem a ver diretamente com aquilo que queremos à medida do nosso sonho.
Gostava de saber:
Qual foi o maior deserto que atravessou?
Quais são os maiores desafios que encontra agora na sua Viagem de A para B?
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O maior deserto que já encontrei, ainda não o acabei de percorrer totalmente.
É o sentir-me sózinha sem poder confiar em ninguém, e que faça o que fizer está condenado ao fracasso porque alguém o quis. Sei que soa a paranóia e o que mais queria era que fosse mesmo.
No entanto, pouco a pouco lá vou atravessando-o e actualmente já consigo vislumbrar o B. Está lá ao fundo mas já o vejo mesmo que pequenino.
Os meus maiores desafios, são os relacionamentos mais que a falta de dinheiro. Mas tenho andado a tentar curar o relacionamento comigo mesma, pois é aí que está a Fonte da Abundância, Prosperidade, Juventude e afins.
É em nós, lá no centro. O caminho para lá chegar é directo mas aprender a desaprender tudo o que nos afasta de apenas ser, é mais longo e complicado do que se pretendia.
E no fundo é tudo tão simples… Basta ser e manter esse Ser.
Bem-haja professor pelos seus posts!
O maior deserto que já atravessei, foi o meu divórcio.
Os maior desafios que encontro da viagem de A para B é a falta de tempo.