A Agenda

Antes de adormecer olho para a agenda da semana e está colorida de acontecimentos, trabalho, encontros, reuniões, planos.

Na manhã seguinte acordo e a febre, as dores no corpo, os espirros e a tosse não me deixam ultrapassar a fronteira da porta de casa.

De repente a semana que se tinha apresentado sob a forma de uma agenda cheia teve de ser alterada. Tudo era uma prioridade. Tudo exigia a minha atenção. Tudo gritava pela minha presença.

Tudo acabou por se revelar afinal tão flexível.

Ajuste daqui, encaixe dali, pequena alteração de planos mais acolá e, de repente, tenho dois dias livres para ficar em casa a recuperar.

As nossas agendas não são ditadores de pedra, rígidos, inquebráveis, inamovíveis. As nossas agendas são feitas, preenchidas e coloridas por nós à medida do que somos e do que queremos. Em qualquer momento e seja porque motivo for elas podem ser alteradas, sacudidas, libertas, enfeitadas com espaços para respirarmos, para vivermos.

Seja porque fomos apanhados desprevenidos pelo rigor do Inverno. Seja porque é importante haver tempo para estar com alguém. Seja por saudades de estarmos conosco mesmos.

Tudo é válido na nossa agenda. Nada do que lá consta é assunto de vida ou morte. Nenhum dos afazeres que ela nos incumbe nos torna indispensáveis ou insubstituiveis.

As únicas prioridades a constar das páginas dos nossos dias deveriam ser a nossa felicidade e o nosso bem estar.

Afinal, se morrermos, a agenda morre conosco e é como se nunca tivesse existido.

E tomar consciência deste facto não é tão libertador?

 

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